Venezuela dialoga pelos caminhos da paz
DIÁLOGO O presidente da República da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a assegurar que o diálogo representa hoje o único caminho, no quadro da Constituição, para a estabilidade do país bolivariano.
Enviados do governo e da oposição mantiveram contactos em Oslo
Concluído o segundo encontro entre representantes do governo venezuelano e da oposição, realizado na Noruega, Nicolás Maduro qualificou esta aproximação como positiva para a procura da paz. O presidente recebeu no Palácio Miraflores, em Caracas, o chefe da delegação governamental, Jorge Rodriguez, no seu regresso de Oslo, onde manteve contactos com dirigentes opositores.
«Após meses de conversações secretas para retomar o caminho do diálogo, avançamos de forma muito positiva pelos caminhos da paz. Estamos optimistas porque cremos na harmonia», confirmou Maduro, num vídeo publicado na rede social Twitter.
Na semana passada, o governo norueguês informou em comunicado que ambas as partes demonstraram a sua vontade de avançar na busca de «uma solução acordada e constitucional para o país».
Apesar da declaração pública das autoridades norueguesas, o deputado oposicionista Juan Guaidó afirmou que a ronda «terminou sem acordo». A afirmação reitera o discurso da oposição, que se recusou durante meses a conversar com as autoridades legítimas de Caracas. Dias antes, o autoproclamado «presidente interino», apoiado pelos Estados Unidos, foi criticado pelos seus seguidores ao manter atitudes ambíguas sobre o envio de delegados ao encontro de Oslo.
O governo norueguês confirmou que as duas partes mostraram a sua disposição de avançar na procura de soluções negociadas e constitucionais, incluindo «temas políticos económicos e eleitorais». A ministra dos Negócios Estrangeiros, Ine Eriksen Soreide, disse a propósito que «a Noruega reitera o seu reconhecimento às partes pelos esforços realizados».
Consolidar a paz e a democracia
Em Caracas, na terça-feira, 4, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, considerou que «o respeito pelas regras acordadas para o diálogo é hoje fundamental para esse processo que procura a paz na Venezuela».
De acordo com esse dirigente político, o governo venezuelano continuará todos os esforços para acompanhar as negociações levadas a cabo em Oslo, desde finais de Abril passado. «O caminho da estabilidade da nossa pátria passa pelo respeito das regras do jogo, expressas na nossa Constituição bolivariana e nas suas leis, sendo fundamental respeitá-las para avançar neste processo», manifestou no seu programa «Vemo-nos na Rádio».
Cabello criticou o comportamento de Guaidó, lembrando que «já passaram cinco meses desde que disse e ameaçou que o presidente Maduro ia sair do poder político».
Soube-se, entretanto, que mais de 80 por cento dos venezuelanos apoiam um processo de diálogo no país. Discursando no Estado de Vargas, o presidente Nicolás Maduro mostrou-se convicto de que na nação sul-americana triunfarão a paz, a concórdia e o entendimento, pois «só uma minoria crê em golpes de Estado e pede a invasão» dos Estados Unidos.
O ministro da Comunicação e Informação e chefe da representação governamental aos encontros de Oslo, Jorge Rodríguez, garantiu de igual modo que o governo do presidente Nicolás Maduro continuará a trabalhar pela paz, concórdia, democracia e defesa da Constituição da Venezuela.
Outro responsável, que também se deslocou à Noruega, o governador do Estado de Miranda, Hector Rodríguez, transmitiu um convite a toda a oposição venezuelana para juntar-se aos esforços pelo diálogo e a paz. «Continuamos avançando na defesa da nossa Constituição para consolidar a paz e a democracia, convidamos a somar esforços nessa direcção», escreveu no Twitter.
… e assume presidência de comissão da ONU
A República Bolivariana da Venezuela assumiu a presidência rotativa da Comissão de Desarmamento e Segurança Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), com sede em Genebra. Na reunião realizada a 29 de Maio, na cidade suíça, o representante do governo de Caracas defendeu a paz mundial e garantiu que os seus esforços se vão centrar em superar o preocupante panorama nuclear que ameaça a espécie humana.
O embaixador venezuelano na ONU, Jorge Valero, insistiu na necessidade de «eliminar todas as armas de destruição massiva, em especial as armas nucleares» e que, nesse sentido, «deve-se fomentar a confiança e o respeito entre os estados». Realçou que, durante a presidência venezuelana da Comissão de Desarmamento, realizar-se-ão os esforços necessários para que prevaleça a abordagem construtiva e inclusiva entre as nações.
Ao mesmo tempo, Jorge Valero rejeitou as acções dos representantes dos Estados Unidos e dos países do denominado Grupo de Lima que pretendem usar a comissão, uma instância de um organismo multilateral, com o objectivo de promover matrizes de opinião «golpistas e intervencionistas».
O diplomata venezuelano repudiou que Washington tenha um presidente «belicista, racista, xenófobo e supremacista» e que, em sua opinião, despreza o multilateralismo.
Durante o acto de empossamento de Jorge Valero, os representantes norte-americanos retiraram-se da sala.
Esta presidência temporária de uma importante comissão das Nações Unidas indica que, ao contrário do que diz o anti-chavismo, a Venezuela não está isolada e conta com a legitimidade da maioria da comunidade internacional.
Cuba recebe crianças doentes
O governo de Cuba ofereceu apoio médico e coordenou a assistência a quatro crianças venezuelanas cuja recuperação foi afectada pelas sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos à Venezuela. Durante uma reunião de trabalho no Palácio de Miraflores, o presidente Nicolás Maduro agradeceu a solidariedade do povo e das autoridades cubanas para salvar a vida de cidadãos venezuelanos «vítimas da guerra económica contra a nação sul-americana».
As sanções impostas por Washington contra a empresa Petróleos de Venezuela (Pdvsa) e o embargo da sua filial em território dos EUA (Citgo), assim como o bloqueio de reservas venezuelanas em bancos internacionais, impedem o governo bolivariano de manter o financiamento de programas assistenciais no exterior e a aquisição de medicamentos. O presidente assegurou que o Estado venezuelano trabalha arduamente para ultrapassar estas dificuldades, por diversas vias, com o propósito de garantir a atenção médica especializada indispensável aos pacientes.
Como alternativa, a Venezuela desembolsou seis milhões de euros adicionais para a compra de medicamentos e para dar cobertura a tratamentos pendentes, fundos que também foram sequestrados por uma entidade financeira. O governo de Caracas vai propor na mesa de diálogo com a oposição, na Noruega, a libertação e o pagamento de recursos monetários para cobrir o tratamento de enfermidades de alto custo para os venezuelanos.