A Europa concreta
Para PS/PSD/CDS é fundamental que o debate sobre a «Europa» seja travado em torno de generalidades, de frases feitas e ignorando completamente o concreto.
A razão é muito simples. É que o concreto, o que significou em concreto a implementação das directivas comunitárias, é algo que os portugueses conhecem bem demais. Da directiva postal à privatização dos CTT e à destruição do serviço postal. Dos Pacotes Ferroviários à pulverização e destruição da ferrovia nacional. Da Estratégia Europeia para a Aviação ao cerco à TAP pública, à liberalização da Assistência em Escala, à degradação das condições de trabalho no sector, às privatizações. Da liberalização do sector da electricidade ao domínio deste pelas multinacionais, aos preços altos para os consumidores e à total degradação do emprego.
É no concreto que a União Europeia perde o seu brilho, e a realidade vai estilhaçando a mitologia arduamente construída pelas classes dominantes. É no concreto que vemos a destruição do aparelho produtivo nacional, o rapto dos instrumentos de soberania, o desvio dos recursos nacionais para alimentar o grande capital, a destruição do emprego com direitos. É no concreto que percebemos que para pagar os fundos comunitários de que tanto ouvimos falar, saem todos os dias, em dobro, e pela calada, milhões em juros, dividendos e impostos.
A Europa é uma realidade concreta, física, geográfica, histórica, cultural até, a que Portugal jamais deixará de pertencer, a não ser na Jangada de Pedra. A União Europeia não é a Europa, é, no concreto, uma construção imperialista, de submissão nacional ao grande capital. Uma realidade concreta onde PS/PSD/CDS se tentam encaixar como intermediários, como vendedores das riquezas nacionais e de uma força de trabalho barata, tentando garantir a riqueza dos seus à custa da precariedade e exploração dos trabalhadores portugueses.