Isto não é uma notícia
«Demónios e dissidências alastram por alguns dos principais jornais nacionais. A persistência de alguns na utilização de escritos na Internet e de fontes anónimas para sustentar notícias sobre a vida interna do PCP estão a fazer crescer o desconforto nas redacções. Há jornalistas que se demarcam destas práticas que violam regras elementares do exercício da profissão, nomeadamente a verificação das fontes.»
Este texto não passa de um exercício sem qualquer base factual, como um leitor atento será capaz de identificar. Mas nas últimas semanas temos lido «notícias» na imprensa dita de referência que não ficam nada atrás no que diz respeito à violação dos deveres dos órgãos de comunicação social para com a verdade.
Textos na Internet, muitas vezes a coberto do anonimato, e fontes não identificadas têm servido para construir peças marcadas pelo ataque ao PCP. Há uma muito boa razão para que a regra seja a identificação das fontes e, mais do que isso, que não sejam publicadas informações de proveniência desconhecida ou que não seja comprovável: nesses casos, o jornalista não tem como confirmar a informação nem verificar se está a ser manipulado. Ainda que nestes casos mais recentes os autores das peças se aproximem mais de manipuladores do que de manipulados...
«Notícias» construídas como o texto acima devem merecer zero credibilidade, coisa que qualquer aspirante à profissão tem que saber. Ainda assim, jornais recheados de gente experimentada nas suas redacções mandaram as regras às urtigas quando estas se puseram no caminho da linha de ataque ao PCP que os centros de poder mediático tinham definido.
Tal como num passado recente, misturam-se factos mal amanhados e não verificados, conjecturas e mentiras puras para lançar um manto de suspeição: há «rebelião», há «convulsão», há «demónios à solta», mas ninguém os vê. Nem mesmo quem os escreve. Mas, como bem sabe quem detém os principais instrumentos de manipulação mediática, isso pouco importa quando o objectivo e o alvo estão fixados.
Da calúnia, o ataque mediático ao PCP centra-se agora na insídia, ao mesmo tempo que os principais órgãos de comunicação social ignoram ostensivamente a intensa campanha da CDU. Basta dar como exemplo a opção da RTP, que cobriu (com honras de Telejornal) todas as entregas de lista no Tribunal Constitucional com excepção de três: a de um partido que não existia há um ano, a de outro que nunca teve um eleito fora da Região Autónoma da Madeira e… a da CDU.
As batalhas eleitorais que se avizinham não vão deixar de ser enfrentadas com estas e outras linhas presentes. Distinguir a verdade da mentira, os factos da fantasia, vai ser mais uma tarefa de entre as muitas que os activistas e apoiantes da CDU terão pela frente.