Faleceu o actor e encenador Armando Caldas
O actor e encenador Armando Caldas deixou-nos para sempre, num rasto de saudade e admiração, no passado dia 13 do corrente mês. Comunista, nascido em Elvas há 84 anos, foi também um activista sindical e um cidadão de causas.
Numa nota de condolências enviada à família, a DORL do PCP sublinha que «toda a sua vida foi dedicada à cultura, particularmente ao teatro, como actor, encenador, divulgador». A AR, por sua vez, aprovou por unanimidade um voto de pesar, apresentado pelo PCP, na qual se realça que "Armando Caldas defendeu e levou à prática um teatro política e socialmente interventivo, tendo encenado os maiores nomes da dramaturgia mundial". Por sua vez, o Comité Português para a Paz e Cooperação deu nota do seu pesar, sublinhando o «rico percurso de um homem da cultura, para quem a defesa das melhores causas da humanidade, como a paz e a justiça social, sempre fizeram parte da sua vida». Armando Caldas iniciou a sua carreira no Teatro Avenida, em 1958, com O Mentiroso, de Carlo Goldini. Quatro depois, ele, Rogério Paulo, Armando Cortez, Carmen Dolores e Fernando Gusmão fundam o Teatro Moderno de Lisboa, o primeiro grupo cénico independente, cuja actividade se prolongou pelos restringentes tempos fascistas. Mais tarde, em 1969, cria o Primeiro Acto, em Algés, e, depois, o Intervalo-Grupo de Teatro, em Linda-a-Velha. Na sua dupla função, actor-encenador, Armando Caldas conviveu durante toda a sua carreira com muitos dos grandes nomes da dramaturgia mundial e nacional, clássicos e contemporâneos: Raul Brandão, Pirandello, José Cardoso Pires, Sófocles, Steinbeck, Shakespear, Dostoievski, Gogol, Woody Allen e Luís Francisco Rebelo, só para citarmos alguns.