Venezuela acusa EUA de ataque cibernético

SABOTAGEM As autoridades da Venezuela restabeleceram no essencial o fornecimento de energia eléctrica no país e responsabilizaram os EUA pela sabotagem, com a cumplicidade da extrema-direita.

Sabotagem no sistema eléctrico visou desestabilizar o país

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou na terça-feira, 12, que o recente ciberataque contra o sistema eléctrico do país foi dirigido a partir de Houston e Chicago e ordenado pelo Comando Militar Sul dos Estados Unidos.

Numa intervenção televisiva, no Palácio de Miraflores, em Caracas, o presidente venezuelano precisou que as investigações sobre a agressão continuam.

«Sabotar o sistema eléctrico para gerar uma confrontação civil e depois apelar ao assalto do poder político só tem um nome: terrorismo», afirmou o chefe do Estado venezuelano, que responsabilizou Washington de utilizar esta via para conseguir os seus objectivos.

Maduro anunciou a criação de uma comissão presidida pela primeira vice-presidente, Delcy Rodriguez, para investigar os factos. A Venezuela solicitará a assistência de especialistas internacionais da ONU, Rússia, China, Irão e Cuba, assim como de instituições nacionais. «Agora, cabe-nos consolidar a vitória na guerra para tornar o sistema eléctrico num sistema seguro, robusto, permanente, invulnerável», disse, citado pela Prensa Latina.

As autoridades venezuelanas precisaram que o plano de sabotagem contra a rede nacional de produção e distribuição de electricidade incluiu ataques cibernéticos, electro-magnéticos e físicos.

Segundo o executivo bolivariano, este «grave acto de hostilidade dirigido pelos centros imperiais de poder, confabulados com a extrema-direita oposicionista» visava privar de energia eléctrica grande parte da população venezuelana e com isso gerar o caos e a desestabilização social.

Restabelecido serviço eléctrico

O ministro da Informação da Venezuela, Jorge Rodríguez, assegurou na terça-feira, 12, que o serviço eléctrico no país se encontrava restabelecido «quase na totalidade».

Rodriguez denunciou novas acções para obstaculizar o processo de recuperação e estabilização do fornecimento de energia eléctrica, após múltiplos ataques às fontes geradoras e redes de distribuição. Deu a conhecer uma sabotagem na central termo-eléctrica de Tacoa, no Estado de Vargas, que abastece de energia várias regiões do país. Isto, já depois do ataque cibernético do dia 7 contra a central hidro-eléctrica Simón Bolívar (El Guri), que interrompeu o fornecimento de electricidade em 80 por cento do país.

«Quem cometeu este brutal ataque calculou que em 72 horas a Venezuela estaria afundada no caos. Mas, neste momento, o fornecimento de energia, na quase totalidade, foi restabelecido em todo o território nacional», afirmou.

O ministro adiantou que em breve será restabelecido o abastecimento público de água no país, tendo informado que recomeçaram a laborar os equipamentos que fornecem água a Caracas. E elogiou a conduta do povo «pela paciência e atitude valente perante um dos mais infames ataques que já sofreu a Venezuela», exortando a população a manter-se alerta face a novos actos de sabotagem e desestabilização.

Outro dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Freddy Bernal, revelou que responsáveis dos oposicionistas Partido Justiça e Vontade Popular, da extrema-direita, souberam antecipadamente do ataque ao sistema eléctrico.

De acordo com informações de Bernal na sua conta da rede social Twitter, membros dos partidos opositores foram avisados em finais de Fevereiro que deviam fazer reservas de água e comida para enfrentar a falta de géneros. Um certo Carlos Ocariz, ex-autarca do município de Sucre, no Estado de Miranda, e agora membro do parlamento, afirmou a correligionários que «o que vem aí será difícil e até nós vamos sofrer, mas é a única via».

Bernal pediu às autoridades judiciais do país que adoptem medidas para «fazer justiça perante esta violação dos direitos humanos dos venezuelanos».




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