«Estão com uma raiva que nem podem por aquilo que conseguimos»
LUTA Encetar um novo caminho mantém-se na ordem-do-dia como uma necessidade imperiosa, afirmou-se no jantar realizado no dia 25 em Coimbra, promovido pelo PCP.
Não se foi longe quanto possível e necessário, mas avançou-se!
«Estão com uma raiva que nem podem por aquilo que fomos capazes de fazer. Quando, naquela noite eleitoral de 2015 olhavam para o PSD e o CDS a comemorarem porque tinham ganho – tinham ganho, o tanas, não ganharam nada! – e o PS conformado e de braços caídos, pois nessa noite o PCP afirmou que era possível uma solução alternativa.
«O PCP e a CDU têm condições para uma política diferente. Fácil? Pois não é, camaradas, nunca foi. Não imaginam a quantidade de cangalheiros que estão arruinados, porque decidiram a morte do PCP, e o PCP está vivo! Vivo, actuante, interventivo, com confiança para travar as batalhas que aí vêm!», foi com estas palavras que Jerónimo de Sousa encerrou o jantar-convívio, no dia 25, em Lamarosa, nos arredores de Coimbra, e empolgou os camaradas e amigos que enchiam o Pavilhão Gimnodesportivo de Vila Verde.
O Secretário-geral do PCP está certo de que este vai ser um ano muito «exigente para o nosso Partido, para os nossos parceiros da coligação e para a Intervenção Democrática, para muitos milhares de independentes que nos honram com a sua participação, empenhados que estamos todos em garantir um rumo de progresso e desenvolvimento para o País». Não será, portanto, «uma qualquer campanha interna de manipulação, mentira e difamação, como aquela de que tem sido alvo o PCP, que nos intimidará ou condicionará».
Jerónimo de Sousa lembrou que foram os deputados eleitos pela CDU que tomaram a peito a «defesa da agricultura e do mundo rural», que «assumiram a defesa das pescas e do nosso mar», que «deram combate à liberalização dos transportes», que pugnaram pela «Segurança Social pública e universal» e contrariaram as «propostas que abrem caminho à sua privatização», enfim, que se «bateram pelo alargamento dos direitos de maternidade», entre vários outros.
É evidente, sublinhou, que «não se foi tão longe quanto era necessário e possível, mas avançou-se».
Avanços a valorizar e ampliar
Os avanços enumerou-os o Secretário-geral dos comunistas: reposição dos salários e feriados «roubados», aumento do Salário Mínimo Nacional, fim dos cortes nas pensões e promoção do seu aumento «pelo terceiro ano consecutivo», valorização do abono de família e alargamento do abono pré-natal e o apoio às pessoas com deficiência; pagamento de uma só vez do subsídio de Natal, valorização das longas carreiras contributivas, repostas as 35 horas na Administração Pública e o direito à progressão na carreira e combate à precariedade. Assegurou-se, ainda, a gratuitidade dos manuais na escolaridade obrigatória e melhorou-se a Acção Social Escolar, ao mesmo tempo que se reduziu o valor das propinas.
Prosseguindo a listagem do que foi feito em benefício da população, acrescentou a diminuição das taxas moderadoras, o alívio do IRS sobre os rendimentos do trabalho e a gratuitidade do acesso aos museus aos domingos e feriados. Quer dizer, «todas estas medidas e conquistas não existiriam hoje se não fosse a iniciativa e proposta do PCP, mas também do PEV, isto é, das forças da CDU».
Região cheia de potencialidades desaproveitadas
«Estamos aqui, nesta região do Baixo Mondego, com tantas potencialidades para a produção agrícola, mas com tantas dificuldades para os agricultores, fruto de décadas de Política Agrícola Comum e de política de direita no sector agrícola», constatou o dirigente comunista. É verdade que o «aumento em 20% – de 500 para 600 euros – nos pagamentos do regime da pequena agricultura, o desconto suplementar no gasóleo agrícola, que este ano é de 6 cêntimos por litro» têm de se acrescentar «ao que foi possível travar da acção desastrosa do Governo PSD/CDS». Estes avanços, reconheceu, «não resolvem o magno problema, o central sobre todos os outros, que é o dos preços à produção».
«Estivemos aqui bem perto, a seguir à tempestade Leslie» e seguimos com «particular atenção as consequências dos incêndios de 2017 e 2018. Sabemos o que isso representou para as populações rurais, de destruição,de prejuízos, de desalento», realçou o Secretário-geral. E, «passados estes meses de uns e outros, voltamos a perguntar: quais os apoios às populações, aos agricultores, particularmente aos pequenos e médios? E voltamos a afirmar que andou mal o PS, tal como fizeram PSD e CDS, quando impediram a aprovação das propostas do PCP, que previam apoios à vítimas por perdas de rendimento».
E, «como Portugal está longe de ter a política de que precisa para ultrapassar os problemas estruturais», a luta visando «encetar um novo caminho mantém-se na ordem-do-dia como uma necessidade imperiosa”.
Tudo ao contrário do que nos prometeram
João Ferreira, primeiro candidato da CDU ao Parlamento Europeu, que partilhou também do momento de convívio e de afirmação de uma alternativa patriótica e de esquerda, afirmou que Portugal é, presentemente, um dos países mais endividados do mundo. «Aconteceu tudo ao contrário do que nos prometeram quando entrámos para a União Europeia, ainda que a CDU tenha avisado, na altura, de que assim seria. A vida veio dar-nos razão.»
E mais adiante: «Vivemos tempos de incerteza e insegurança, pois as contradições do capitalismo podem desaguar numa nova crise». Seja como for, «encaramos com confiança as batalhas que temos pela frente. Eles têm as TV, rádios e jornais. Nós, temos energia criadora e experiência na transformação da vida».