CDU defende política científica autónoma para Portugal
CIÊNCIA Num debate com investigadores e bolseiros realizado no dia 28 em Lisboa, João Ferreira defendeu que o País deve ter uma política científica autónoma, com prioridades e meios próprios.
Portugal depende em excesso do financiamento da UE
Muito embora a política científica seja, na União Europeia, da competência de cada um dos estados-membros, as orientações determinadas a partir de Bruxelas têm grande influência em países periféricos como Portugal. A excessiva dependência dos fundos da UE e a submissão aos seus critérios constituem fortes obstáculos ao sistema científico e tecnológico do País.
Estas foram algumas das questões levantadas na sessão realizada na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa por João Ferreira, primeiro candidato da CDU às eleições de 26 de Maio para o Parlamento Europeu. Este lembrou, na ocasião, que entre os deputados portugueses só os comunistas votaram contra o novo Programa Quadro de Investigação, que prossegue a linha dos anteriores e que terá como consequência o alargamento do fosso que separa Portugal dos maiores países da UE.
Se em número de investigadores Portugal aproximou-se, nos últimos anos, da média da UE, já noutras profissões científicas e em despesa pública em Investigação e Desenvolvimento a distância é imensa: para a reduzir a metade, afirmou João Ferreira, era preciso canalizar para este sector mais 1400 milhões de euros. Só para o Novo Banco foram já transferidos 800 milhões de euros e entre 2014 e 2017 saíram de Portugal para paraísos fiscais qualquer coisa como 23 mil milhões de euros.
Numa sessão em que esteve acompanhado por Ana Mesquita, deputada do PCP na Assembleia da República, João Ferreira ouviu investigadores, bolseiros e técnicos queixarem-se da precariedade generalizada no sector e das consequências negativas que esta tem na sua vida e no funcionamento de laboratórios e centros de investigação. O modelo de financiamento também foi criticado.
A terminar, João Ferreira inseriu as propostas do PCP e da CDU para uma política científica soberana no quadro mais geral da política alternativa patriótica e de esquerda. Assim, aumentar a produção nacional e recuperar para o controlo público sectores estratégicos da economia eram, em si mesmos, factores impulsionadores do desenvolvimento científico e tecnológico nacional.