O País que temos, o País que queremos

Paulo Raimundo (Membro do Secretariado)

A 29 e 30 de Junho, o Comité Central do PCP decidiu a realização de uma grande iniciativa sobre a situação do País e as respostas necessárias para o desenvolvimento e a soberania, colocando o imperativo da alternativa patriótica e de esquerda para um Portugal com futuro.

Dando seguimento a esta decisão, vai realizar-se no próximo sábado, no Fórum Luísa Todi, em Setúbal, a conferência «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Por um Portugal com futuro». Um debate necessário e oportuno que se realiza num momento em que os avanços, conquistas e reposição de direitos e rendimentos não iludem os problemas estruturais que o País enfrenta e os constrangimentos de que é alvo.

Uma situação que, entre outras, torna claro dois aspectos centrais há muito identificados pelo Partido: por um lado, as limitações da actual fase da vida política nacional e a impossibilidade que neste quadro existe de o País se desenvolver de forma soberana. Esta é uma realidade que decorre das opções de fundo de compromisso com os grandes interesses e de subordinação às imposições da União Europeia e do euro por parte do PS, do seu governo minoritário e dos seus parceiros de sempre nas matérias estruturantes, PSD e CDS.

Por outro lado, a actual situação evidencia a urgência da ruptura com a política de direita e da concretização da alternativa política, que coloque no centro das suas opções os direitos dos trabalhadores e do povo, indissociáveis da defesa intransigente dos interesses e da soberania do País. Este é um desafio que se coloca a todos os democratas e patriotas e que, em grande medida, está nas mãos dos trabalhadores e do povo, pois são estes, com a sua luta, os principais protagonistas desta alternativa e, acima de tudo, os principais interessados na construção a aplicação de uma política que corresponda aos seus anseios e direitos.

Debate necessário

Realiza, assim, o PCP uma conferência onde estará presente a real situação do País, os perigos que enfrenta, os seus défices e problemas estruturantes, os constrangimentos de que é alvo e, acima de tudo, as respostas, medidas, propostas e políticas necessárias para um Portugal livre e soberano.

O debate que travaremos na conferência estará, certamente, muito atrás na vertigem do momento, nos posicionamentos televisivos e conjunturais com vista à ida para o poder a qualquer preço. Passará certamente ao lado da espuma dos dias e de oportunistas, lateralidades que muita utilidade têm para alguns.

Mas estará, seguramente, muito à frente na análise da situação do País que temos e do futuro que lhe queremos e vamos proporcionar. Um debate que sublinhará as soluções exigentes e corajosas que urge implementar, os eixos e propostas que integram a política alternativa patriótica e de esquerda que o PCP defende e propõe ao povo português.

A conferência significará certamente um momento de grande importância para a identificação das soluções que defendemos para o País e, não menos importante, contribuirá para que centenas de militantes e amigos do Partido de todo o País saiam em melhores condições de se assumirem como o veículo fundamental e insubstituível do Partido no contacto com os trabalhadores e o povo, com vista ao seu esclarecimento e mobilização para a tomada, nas suas próprias mãos, da construção de um Portugal com futuro, livre e soberano.

Um futuro que está a ser construído nas pequenas e grandes lutas do presente e que exige a elevação dessa mesma luta e o reforço do Partido dos trabalhadores e do povo: o PCP.




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