Merkel quer resposta da UE ao proteccionismo dos EUA
CONTRADIÇÕES Face ao «America First» da administração Trump, a chanceler alemã Angela Merkel quer políticas comuns da União Europeia, tanto no plano económico como no que diz respeito à defesa e segurança.
Aprofundam-se as contradições inter-imperialistas
A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, quer uma acção comum da União Europeia (UE) para responder à política comercial actual norte-americana.
Merkel disse no sábado, 6, em Berlim, que a administração do presidente Trump proclama a consigna «America First» (Primeiro os Estados Unidos), pelo que os países da UE têm que estar na disposição de também «defender os seus interesses».
Durante um congresso da União da Juventude da Alemanha, que agrupa jovens do seu partido, a dirigente da CDU afirmou que «sentimos que alguma coisa mudou», referindo-se à política externa de Washington face à União Europeia.
A governante enfatizou a importância de que a UE fale a «uma só voz» e sublinhou a necessidade de uma estrutura europeia de defesa e segurança comum, «complementar à NATO», de forma a «garantir os nossos interesses».
Diversos sectores industriais europeus sentem-se ameaçados pelas barreiras comerciais norte-americanas já em vigor ou que poderão ser impostas no futuro, como as taxas aduaneiras para o aço (25%) e o alumínio (10%) e para os automóveis fabricados no estrangeiro (25%).
Em Setembro, no Conselho de Segurança da ONU, Trump ameaçou com «graves consequências» os países que não acatem as sanções norte-americanas contra o Irão. Estas medidas foram aplicadas unilateralmente por Washington após a sua retirada do acordo nuclear com o Irão, denominado Pacto Integral de Acção Conjunta (JCPOA), iniciativa que a União Europeia não acompanhou.
O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, pediu recentemente uma reacção da Europa face às sanções dos EUA contra terceiros países que afectem a União Europeia. E anunciou que a UE procura manter relações comerciais com o Irão para salvar o JCPOA, assinado em 2015 por Teerão e a China, os EUA, a França, a Grã-Bretanha, a Rússia e a Alemanha.