Povo brasileiro nas urnas em defesa da democracia
ELEIÇÕES O Brasil vai às urnas no próximo domingo, 7, para a primeira volta das eleições gerais. Para a presidência, tudo indica a passagem à segunda volta de Haddad e do candidato da extrema-direita.
Uma ampla frente antifascista toma corpo na sociedade civil
Nas eleições brasileiras, a uma semana da votação, um empate técnico entre os dois candidatos presidenciais com maior intenção de voto, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. É o que indicava a sondagem realizada pelo Instituto MDA, cujos resultados foram divulgados a 30 de Setembro.
De acordo com o estudo, com margem de erro de 2,2%, enquanto Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), cresceu três pontos em relação à sondagem precedente e chegou aos 25,2% de apoio do eleitorado, o representante da extrema-direita, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), continuou amarrado aos 28,2% anteriores.
Surgem depois, à distância, Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), com 9,4%; o chamado «candidato do golpe», Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 7,3%; e a representante da Rede de Sustentabilidade (REDE), Marina Silva, com 2,6%.
Sobre os cenários para uma eventual segunda volta, a pesquisa do Instituto MDA, para a Confederação Nacional do Transporte, mostra que Haddad venceria Bolsonaro por 42,7% contra 37,3%.
As eleições gerais brasileiras, cuja primeira volta se realiza a 7, vão escolher, além do presidente e do vice-presidente da República, 27 governadores estaduais, 54 lugares no Senado e 513 na Câmara de Deputados.
O crescimento sustentado da candidatura de Haddad constitui um facto notório da campanha presidencial, tendo em consideração que a sua designação só ocorreu a 11 de Setembro.
Haddad substituiu o ex-presidente Lula da Silva – cuja candidatura foi rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral – à frente da coligação O Povo Feliz de Novo, que integra o PT, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Republicano da Ordem Social (PROS). A candidata a vice-presidente é a comunista Manuela d’Ávila.
«Ele Não»
Centenas de milhares de mulheres ocuparam ruas e praças em 60 cidades do Brasil, no sábado, 29, manifestando-se contra o neofascismo, o avanço do ódio, e o seu principal representante, o candidato Bolsonaro.
Convocadas sob a consigna «Ele Não», as manifestações tiveram particular relevância em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentraram 200 mil pessoas em cada uma, e Brasília, onde participaram mais de 30 mil.
O portal Vermelho, do PCdB, escreveu que as manifestações constituíram «o grande acontecimento da campanha eleitoral para a primeira volta» do escrutínio. A ampla e vigorosa mobilização do «Ele Não» significa uma decisiva tomada de posição contra o que representa Bolsonaro: «a mais forte ameaça contra a democracia, os direitos das mulheres e a classe trabalhadora, desde o fim da ditadura militar em 1985», considera a publicação.
«Podemos vencer»
Um dirigente do PCdoB, Walter Sorrentino, afirma que «estamos cautelosamente otimistas de que sim, podemos vencer a quinta eleição presidencial consecutiva no Brasil». Mas alerta: «Muitos desafios se apresentarão ainda. O mais ingente e urgente é a indicação de que só a retomada do pacto democrático rompido com o impeachment de Dilma Rousseff pode criar as bases para o país superar a crise». Sem isso, considera, o Brasil dará a vitória a Bolsonaro, «um aventureiro despreparado, falsamente nacionalista, xenófobo, homofóbico e que promove abertamente o ódio e intolerância nas relações sociais».
O PCdoB preconiza que «as nossas forças devem se alargar para associar todos quantos tomarão o lado da democracia, na qual o povo eleva o nível de suas lutas e sem a qual o povo não alcança seus direitos sagrados». Assim, «uma ampla frente antifascista toma corpo na sociedade civil e deve produzir fortes efeitos nos resultados da eleição».