«Direita descomplexada»

Carlos Gonçalves

O Público publicou um texto sobre o perfil de Pablo Casado, novo «líder» do Partido Popular espanhol. Aí se afirma que o ex-vice director de comunicações do PP, sob inquérito judicial, ganhou o Congresso do seu partido com um discurso assumido de «direita descomplexada» – «Deus, pátria, família, unidade da Espanha, reforço do Código Penal, segurança, vida.»

A novidade não são as posições do PP filo-franquista, mas sim que os reaccionários estão a deixar cair a máscara de «centristas», «populares» e «social-qualquer coisa» e vão assumindo as suas opções de extrema direita e neofascistas.

Os seus quadros de «elite», lá e cá, ao serviço do grande capital, percorrem o guião yuppie, de «opinadores» dos media dominantes para boys do sistema, de Camilos Lourenços para um qualquer governo dos grandes interesses, de ministros para CEO, de Portas para Barroso, e vão juntando ao currículo de doutores em anticomunismo, novos «canudos» em demagogia e autoritarismo.

Hoje, em Portugal, não podem fazer o discurso de Casado, mas vão ensaiando. Com a tutela do FMI e da UE e a convergência com as opções do PS pela política de direita, o grande capital, o PSD e o CDS lutam, com todas as forças e capacidades, para reverter os avanços da nova fase da vida política nacional, «normalizar» o domínio absoluto do País pela sua política e agravar a exploração. Perante a possibilidade de novos avanços e a necessidade objectiva de uma política alternativa patriótica e de esquerda, a «direita descomplexada» não hesita na manipulação, no populismo, no anticomunismo abjecto, na chantagem anti-democrática, que não andam longe do proto-fascismo.

Mas a luta e os valores de Abril decidirão o futuro de Portugal.




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