Desde o berço, o lucro é mais ordena!

João Frazão

Que o capital não tem escrúpulos e não se detém perante nada é verdade consabida há muito e há múltiplos exemplos que o comprovam. Mas não perde a capacidade de nos surpreender e nós de nos indignarmos: nem o leite dos bebés escapa à ganância dos poderosos.

Desta vez soubemos que, perante uma proposta apresentada pelo Ecuador na Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde, que procurava valorizar a utilização do leite materno na alimentação dos bébés e instar os estados a limitar a publicidade enganosa sobre as vantagens do leite em pó industrial, a delegação dos EUA não apenas votou contra como usou de todas as manobras, incluindo a chantagem sobre estados soberanos, ameaçando retirar apoios, inclusivamente militares, aos países que acompanhassem a referida deliberação.

As vantagens do leite materno são absoluta e mundialmente consensuais, seja para a saúde da cirança, seja para o seu desenvolvimento. Isso não interessa nada para o capital, pois não apenas a sua utilização põe em causa os sacrossantos lucros aos grupos económicos, como a amamentação pelas mães lhes retira tempo para ser exploradas no trabalho.

Ao serviço do grande capital, funcionando como conselho de gerência dos seus interesses, traduzidos nos 60 mil milhões de euros anuais de volume de negócios das multinacionais que dominam o mercado do leite em pó industrial, as administrações norte americanas (não apenas a de Trump e à semelhança de todos os governos capitalistas) vão mesmo até ao berço para garantir a sua gula insasiável por mais e mais lucros.




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