Ferroviários franceses prosseguem luta contra reforma liberal de Macron
CAMINHOS-DE-FERRO Uma greve convocada por dois dos principais sindicatos de ferroviários (CGT e SUD-Rail) provocou sérias perturbações no tráfego, nos dias 6 e 7, período tradicional de partida para férias em França.
As greves nos caminhos-de-ferro franceses marcaram o início da época de férias em França
Com esta paralisação, os dois sindicatos deram um sinal claro de que a luta contra a reforma liberal promovida pelo governo de Emmanuel Macron «está longe de terminar», segundo afirmou Philippe Martinez, secretário-geral da CGT.
Apesar da série de 36 dias de greve intercalados, iniciada a 3 de Abril e terminada a 28 de Junho, o governo francês recusou qualquer negociação, conseguindo que o seu projecto de reforma da Sociedade Nacional de Caminhos-de-Ferro (SNCF) fosse aprovado no parlamento e no senado pelos partidos de direita.
Todos os aspectos fundamentais foram mantidos, não obstante a forte contestação da generalidade dos sindicatos do sector (CGT, SUD-Rail, Unsa e CFDT), forças de esquerda e amplos sectores da sociedade, que defendem a manutenção do serviço público ferroviário.
A lei, promulgada dia 28 de Junho, atinge duramente os direitos dos trabalhadores, eliminando o estatuto do ferroviário a partir de 1 de Janeiro de 2020, transforma a empresa pública em sociedade anónima (primeiro passo para o desmantelamento e privatização) e estabelece as condições da abertura do transporte ferroviário a operadores privados, a partir de Dezembro de 2019.
Entre os pontos ainda por definir no concreto destaca-se a convenção colectiva nacional do sector ferroviário, que começará a ser negociada com a administração da SNCF já no próximo dia 19, data para a qual a CGT já convocou um greve.
Tal como na paralisação da semana passada, os sindicatos Unsa e CFDT anunciaram que não vão aderir a novas paralisações durante o período de férias.
Por seu lado o SUD-Rail vai consultar os seus associados sobre a adesão à greve da CGT.
«Não desistimos de nada»
Em resposta à ministra dos Transportes, Élisabeth Borne, que apelou os sindicatos «à razão», considerando que «a greve não serve para nada uma vez que a lei está promulgada», Laurent Brun, secretário-geral da CGT-Ferroviários, frisou que a sua organização sindical «não desiste de nada no que toca à reforma da SNCF». «Não haverá ponto final enquanto não tivermos as garantias [da parte do governo] que exigimos desde o início, designadamente sobre o estatuto dos ferroviários», declarou o dirigente sindical, admitindo a convocação de novas greves durante e depois do Verão. «Serão as assembleias gerais [de trabalhadores] que vão decidir», disse Bruno Poncet, dirigente do SUD-Rail.