A História é nossa e fazem-na os povos!

Rita Janeiro

O exemplo de Salvador Allende perdura até à actualidade

lusa


Existem homens e mulheres que, pelo exemplo de luta, coragem e dignidade que a sua vida representa, marcam a história dos povos: Salvador Allende, de quem neste momento se assinala o 110.º aniversário de nascimento, é disso exemplo.

Salvador Allende nasceu em Valparaíso, no Chile, a 26 de Junho de 1908. Os seus primeiros anos de vida coincidem com o desencadear de sérios e profundos problemas socio-económicos no Chile. A agudização da situação política no Chile, onde se instaura uma ditadura em 1927, transporta o jovem Allende, dirigente estudantil, para a linha da frente da luta por um Chile progressista e democrático, posição que nunca abandonou até à palavra final do seu último discurso em 11 de Setembro de 1973, quando é assassinado pelo golpe fascista.

Para o povo chileno, Allende tem um profundo significado, que perdura e vive até aos dias de hoje, em cada punho que se ergue na luta por uma sociedade mais justa.

Salvador Allende teve um importante papel na criação da Unidade Popular (UP), que integrava comunistas, socialistas e outras forças progressistas chilenas. Tendo-se candidatado à presidência do Chile, enfrentou fraudes eleitorais, anticomunismo e outros malabarismos da oligarquia chilena patrocinada pelo imperialismo norte-americano, que viam em Allende e na sua capacidade de mobilizar a simpatia e entusiasmo dos trabalhadores e do povo chilenos um perigo real para os seus interesses. Recorde-se que a vitória da revolução cubana, que Allende tão entusiasticamente defendeu, deu força à confiança e luta dos povos da América Latina.

Eleito Presidente do Chile a 4 de Novembro de 1970, Salvador Allende, à frente da UP, protagoniza profundas transformações de grande significado na história do Chile: dá-se início a um processo de nacionalizações, o desemprego baixa significativamente, o direito à habitação torna-se uma realidade para os chilenos, pôs-se termo ao latifúndio e devolveu-se a terra a quem a trabalha, entre outras importantes transformações com vista ao desenvolvimento económico e social, à democracia, ao socialismo.

Se é certo que o curso imparável da história nos tem demonstrado que o capitalismo não é nem será o seu fim, também é certo que todos quantos lutem pela construção da nova sociedade, serão inevitavelmente alvo do imperialismo. O Chile de Allende não fugiu a essa regra. O imperialismo norte-americano tudo fez para derrubar Allende e a Unidade Popular, promovendo o embargo e a sabotagem económica, lançando campanhas de difamação e promovendo o anticomunismo e a violência, até à promoção do brutal golpe de Estado que mergulhou o Chile numa longa noite fascista, com assassinatos, perseguições e torturas.

No Palácio de La Moneda, a 11 de Setembro de 1973, Salvador Allende resiste ao golpe e dirige- -se ao seu povo, afirmando que «mais cedo que tarde, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor». No ano do 110.º aniversário do seu nascimento, o seu exemplo permanece vivo em todos aqueles que, a cada dia que passa, resistem e lutam, em todos aqueles que sabem que a razão está do seu lado, como Allende sempre soube.



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