Maré de contestação em França às políticas anti-sociais de Macron
PROTESTO Centenas de milhares de pessoas manifestaram-se, no sábado, 26, por toda a França, em protesto contra as reformas liberais do presidente Macron e em apoio à luta dos trabalhadores e populações.
Luta intensifica-se em França contra ofensiva social
Sob o lema «Uma maré popular pela igualdade, justiça social e solidariedade», dezenas de sindicatos, partidos de esquerda e diversas associações promoveram uma jornada nacional de protestos, que juntou trabalhadores, estudantes, desempregados e reformados.
Concentrações e manifestações tiveram lugar em mais de uma centena de cidades francesas, nas quais participaram centenas de milhares de pessoas.
No desfile na capital, Paris, uma imensa multidão concentrou-se, ao início da tarde, na Gare de l'Est, desfilando em seguida até à Praça da Bastilha.
Na manifestação estavam representados vários sectores em luta, incluindo trabalhadores da Air France e dos Aeroportos de Paris, pessoal da Saúde, investigadores, entre muitos outros.
Na véspera, o presidente Emmanuel Macron havia avisado, por antecipação, que a mobilização não o «fará parar».
Em resposta, Pierre Laurent, secretário-geral do PCF, presente na manifestação em Paris, declarou que «quando temos um poder tão arrogante, tão autoritário nos seus métodos (…) se o país não demonstra a sua força e a sua unidade, não conseguiremos mover as linhas». Mas, acrescentou, a «ira social está a aumentar». «Ensinaremos o Sr. Macron a moderar a sua arrogância», acentuou Olivier Besancenot do NPA.
Um país em luta
Além da persistente luta dos ferroviários, muitos outros conflitos laborais e sociais marcam a actualidade de França.
No início da semana, 22, uma jornada nacional da Função Pública paralisou a generalidade dos serviços públicos, escolas, Saúde, transportes públicos, estendendo-se ainda aos ferroviários e outras actividades como a energia, onde os trabalhadores lutam em defesa do serviço público.
A greve, acompanhada de 140 manifestações e concentrações em todas as regiões, nas quais os ferroviários marcaram forte presença, teve o apoio de nove organizações sindicais, formando uma frente sindical unitária como há muito não se via em França.
A paralisação, que abrangeu os controladores aéreos, provocou o cancelamento de mais de 500 voos, afectando 70 mil passageiros e carga, causando ainda importantes atrasos, principalmente nas ligações, segundo informou a associação de companhias de aviação «Airlines For Europe»
A luta prosseguirá como se depreende da reunião da intersindical da Função Pública, realizada na sexta-feira, 25.