Greve na Efacec contesta despedimento colectivo

PRECARIZAÇÃO O Governo pode e deve travar o despedimento colectivo de 21 pessoas, uma medida da Efacec para substituir mais trabalhadores efectivos e com direitos por mão-de-obra mais barata.

São visados aqueles que resistiram e lutaram contra rescisões

Os trabalhadores das empresas do Grupo Efacec fizeram ontem, dia 23, uma greve parcial (das 9 às 11 e das 17 às 19 horas), em defesa dos postos de trabalho e contra o despedimento colectivo anunciado pela administração há duas semanas. Durante os períodos de paralisação, tiveram lugar concentrações no exterior das instalações.

De manhã, no Parque Industrial da Arroteia, em Matosinhos, os trabalhadores em luta receberam manifestações de solidariedade de dirigentes do seu sindicato, o SITE Norte, bem como da União dos Sindicatos do Porto e do Secretário-geral da CGTP-IN.

Arménio Carlos defendeu que o Governo não pode permitir o despedimento colectivo sem exigir que a Efacec apresente fundamentação. E notou que a empresa «é a primeira a reconhecer, através do seu administrador, que consolidou a sua situação económica e financeira, de 4,3 milhões para 7,5 milhões de euros», e «anuncia que vai contratar 700 trabalhadores».

O dirigente da Intersindical Nacional, citado pela agência Lusa, indicou como motivo «subjacente ao despedimento colectivo» a «tentativa de decapitar a organização sindical e a Comissão de Trabalhadores».

No local compareceu também Jorge Machado. O deputado, um dos três eleitos do PCP pelo distrito do Porto, insistiu que o Governo terá de pôr termo a este despedimento colectivo, por dois motivos: a Efacec recebeu apoios públicos não para despedir, mas para contratar, e regista lucros há dois anos consecutivos. «É um processo claramente de substituição de trabalhadores com direitos por trabalhadores sem direitos», acusou, recordando que o Partido levou o problema à Assembleia da República.

Os trabalhadores e as suas organizações afirmam que a Efacec está a usar o estatuto de empresa em reestruturação, renovado há um ano pelo Governo, para atingir o objectivo de eliminar 409 postos de trabalho nas empresas de Engenharia e de Energia.

 



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