Reforçar o PCP é um imperativo

97 anos de luta e intervenção de olhos postos no futuro

Miguel Inácio (texto)

VITALIDADE Cerca de mil pessoas festejaram os 97 anos do PCP num comício, em Lisboa, com o lema «Com os trabalhadores e o povo – democracia e socialismo». Jerónimo de Sousa destacou o profundo enraizamento do Partido junto dos trabalhadores e do povo português.

Cravos vermelhos – símbolo da Revolução de Abril de 1974 – foram distribuídos aos participantes, que encheram de força e determinação o Auditório Professor Simões dos Santos da Faculdade de Medicina Dentária, fazendo jus às palavras do Secretário--geral, que na sua intervenção (ver págs. seguintes) sublinhou a «confiança num Partido que, longe de sucumbir como os seus inimigos desejariam e tantas vezes anunciaram, se afirma mais forte, mais necessário, mais determinado em prosseguir o seu caminho com os trabalhadores e o povo pelo progresso e justiça social, pela soberania e independência nacionais».
No Auditório havia uma banca das Edições Avante!, onde o Órgão Central do PCP chamava a atenção, repartindo o espaço com grandes obras de literatura, entre as quais «85 momentos de vida e luta do PCP», «As teses das “teses”», de José Barata-Moura, «Os barrigas e os magriços», de Álvaro Cunhal, e «Catarina Eufémia», de José Casanova. No âmbito das comemorações do centenário da Revolução de Outubro e do II Centenário do nascimento de Karl Marx destacavam-se outros títulos, como «O Capital». Noutro stand, os participantes podiam adquirir ainda o AGIT e outros materiais da JCP, a organização revolucionária da juventude.
À medida que os minutos foram passando, o auditório foi ficando cada vez mais cheio e belo. Um pequeno contratempo (corte geral de electricidade) não trouxe pânico, antes as vozes de todos que cantaram os «parabéns» ao seu Partido. Minutos depois, ao palco subiram Sofia Lisboa (voz), Tiago Santos e Pedro Salvador (guitarra), verdadeiros cancioneiros da resistência e trovadores da liberdade. Temas originais gritaram «Revolução», juntando-se a outros, como «Engrenagem», de José Mário Branco, ou «Balada da Rita», de Sérgio Godinho. Terminaram com o «Hino de Caxias».
«As comemorações dos 97 anos do PCP são um momento de encontro, mas também de alargamento, de afirmação da sua identidade, da sua acção internacionalista e do seu projecto de democracia avançada, com os valores de Abril no futuro de Portugal, do socialismo e do comunismo», afirmou Sofia Grilo, membro do Executivo da Direcção da Organização Regional de Lisboa (DORL), que chamou para o palco Vasco Marques, João Ramos, Sara Gonçalves e Catarina Viegas, da JCP, Ana Sofia Correia, Cátia Lapeiro, Elisabete Santos, Fernando Henriques, Gonçalo Tomé, Jaime Rocha, Jorge Humberto e Libério Domingues, da DORL, Manuela Bernardino, da Comissão Central de Controlo, Armindo Miranda, Francisco Lopes e Jerónimo de Sousa, dos Organismos Executivos do Comité Central.

Imensas potencialidades

Dirigindo uma «calorosa saudação» pelo 97.º aniversário do «nosso» Partido, João Ramos, da Direcção Nacional da JCP, assinalou que a «vida da juventude» em Portugal «continua marcada pelas consequências de várias décadas de política de direita, levada a cabo por sucessivos governos do PS, PSD e CDS», uma política «de submissão ao grande capital, à União Europeia e ao euro», que «limita direitos, impede estabilidade, dignidade e condições para a juventude ser feliz».
Sobre a nova fase da vida política nacional, o jovem comunista salientou que «o desenvolvimento da luta pode trazer vitórias», referindo como exemplo a «gratuitidade dos manuais escolares para o 1.º e 2.º ciclos», a «redução do IVA para 13 por cento dos instrumentos musicais», a «suspensão do regime de actualização do valor das propinas», a «redução do número de estudantes por turma» ou a «construção da residência para estudantes da Escola Superior de Desporto de Rio Maior».
João Ramos deu ainda a conhecer as campanhas que a JCP está a desenvolver. «São inúmeros os problemas a denunciar e sobre os quais precisamos de intervir, imensas as potencialidades para fazer do descontentamento a luta, para que mais jovens tomem partido e prossigam a luta milenar pela superação revolucionária da sociedade», afirmou.

Luta reivindicativa

No comício foi ainda evocado o Dia Internacional da Mulher (ver páginas 16 e 17), historicamente ligado à luta das mulheres trabalhadoras, pela sua emancipação política, económica e social. Como Sofia Grilo evidenciou, este é «um dia de luta reivindicativa pelos direitos cívicos e políticos das mulheres, de acção e protesto contra as condições de exploração capitalista, de informação e esclarecimento sobre as deploráveis condições de trabalho, e sobre a ausência de direitos sociais e laborais».
Seguiu-se a intervenção de Jaime Rocha. O membro do Executivo da DORL destacou a  acção nacional «Valorizar os trabalhadores. Mais força ao PCP», tendo informando que no dia 27 de Fevereiro os comunistas de Lisboa estiveram em contacto com os trabalhadores de 40 empresas e de centros rodoviários e ferroviários. «Durante o mês de Março, propomo-nos chegar a todos os trabalhadores do distrito com o documento do Partido», anunciou, referindo que esta «é a tarefa principal» de 2018. «Reforçar o PCP é um imperativo que não se esgota na prioridade às empresas e locais de trabalho», acentuou, referindo que a entrega do novo cartão de membro do Partido (que já se iniciou) é um bom «instrumento» para a «tarefa».




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