Com greve e manifestação dia 23 o povo defende os seus Correios

LUTA Nos CTT e nas ruas de Lisboa, trabalhadores e utentes vão exigir, a uma só voz, que os Correios voltem a servir o interesse público e que seja travada a destruição que só serve os accionistas.

Estão para fechar outras 12 estações, alerta o sindicato

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Quatro sindicatos (o SNTCT e o Sinttav, da Fectrans/CGTP-IN, o Sindetelco e o Sincor) , com o apoio da Comissão de Trabalhadores, convocaram para sexta-feira, 23 de Fevereiro, uma jornada de luta que inclui uma greve de 24 horas, em todas as empresas do Grupo CTT, e uma manifestação nacional em Lisboa, a partir das 14h30, desde a Praça do Marquês de Pombal até à residência oficial do primeiro-ministro.

Esta luta foi anunciada um mês depois da greve de 21 e 22 de Dezembro e os objectivos permanecem. Os trabalhadores, sendo aqueles que mais sofrem os efeitos da política de privatização, continuam a ser os mais firmes no combate pela reversão da alienação dos CTT ao capital privado (finalizada em Setembro de 2014).

Os sindicatos e a CT, num comunicado conjunto, assumiram como motivos da jornada de dia 23: exigir a reversão da privatização dos CTT e um serviço postal universal de qualidade; contestar os despedimentos (encapotados ou não) e o encerramento de estações de Correios, bem como a generalização das «dobras de giros» (alargamento do percurso dos carteiros) e a sobrecarga geral de trabalho na distribuição.

Mais para fechar
Os mais profundos cortes na rede de estações e no pessoal foram feitos no período que antecedeu a privatização, entre 2009 e 2013. Hoje, com 591 estações e 1761 postos, os CTT têm menos 538 estabelecimentos do que no início daquele período.

Aos accionistas, foram já entregues mais de 240 milhões de euros de dividendos. Os dividendos prometidos relativos a 2017 superam mesmo a previsão de lucros, tal como já sucedeu nos resultados de 2016. Só que o capital exige sempre mais.

Estava já em marcha um plano para reduzir 200 ou 300 postos de trabalho, mas em Dezembro a administração aumentou o objectivo em mais 800, até 2020.

Uma nova onda de encerramento de estações começou a ser concretizada a 19 de Janeiro. Esta lista continha 22 estações e a ela já acresceu a estação do Amial, no Porto.

Mas há mais uma dúzia de lojas CTT cujo encerramento está em preparação para breve, como nesta segunda-feira nos revelou o Secretário-geral do SNTCT.

Victor Narciso disse que tem por base informações que chegam dos locais de trabalho e ressalvou que a empresa já mostrou ser capaz de fechar estações sem qualquer aviso, da noite para o dia.

A estação na Venda Nova (Amadora) está para fechar «muito em breve». Entre Bobadela e São João da Talha, ainda estará por definir qual a estação a encerrar. Victor Narciso referiu ainda as estações de Correios em Xabregas, Ajuda, Agualva, Queijas, Queluz (na estação ferroviária), Castanheira do Ribatejo, Forte da Casa, Alhandra, Aguiar da Beira e Sátão.

«Outras ainda se seguirão», admitiu o dirigente, lembrando que há margem para tal no próprio «convénio de qualidade» com que a ANACOM delimita as obrigações da concessionária do serviço público postal.

A par de plenários de trabalhadores, distribuição de documentos, reuniões com eleitos de autarquias locais e com movimentos de utentes, o sindicato tem realizado iniciativas próprias neste período de preparação da luta de dia 23.

A petição promovida pelo SNTCT foi entregue na AR no dia 17 de Janeiro, no final de um debate sindical sobre os 20 anos decorridos desde a primeira directiva postal da Comissão Europeia, denunciando as suas consequências para Portugal.

O sindicato tem também recebido várias manifestações de preocupação face à situação nos CTT e de solidariedade e apoio à luta. Victor Narciso destacou posições das associações nacionais de municípios e de freguesias (ANMP e ANAFRE), bem como de diversas juntas e câmaras. Algumas têm mesmo assumido compromissos de presença na manifestação de dia 23.

Até lá, o esclarecimento e a mobilização continuam, porque «muito trabalho ainda tem de ser feito».

Se falta pessoal...

A redução do número de trabalhadores leva a aumento de ritmos laborais, prolongamento de horários e de percursos, tornando evidente que é justa a exigência de que sejam ocupados os postos de trabalho necessários.

Mesmo assim, acusou Victor Narciso, no depoimento ao Avante!, as chefias foram envolvidas para organizarem entrevistas com largas dezenas de trabalhadores, propondo-lhes acordos para rescisão de contratos.

E, em situações onde já se nota demasiado que o serviço está a ser mal feito, precisamente por falta de pessoal, a administração já ensaia uma nova «resposta»: acaba com o serviço.

O dirigente do SNTCT referiu, como exemplo, o caso do Express Mail, que está a ser agenciado a empreiteiros.




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