Petição contra armas nucleares já ultrapassou cinco mil assinaturas

DESARMAMENTO O CPPC anunciou faz hoje uma semana que a petição lançada em Setembro reclamando a adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares já ultrapassou as 5000 assinaturas e vai continuar.

A recolha de assinaturas vai continuar, garante o CPPC

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A revelação foi feita numa conferência de imprensa realizada na baixa lisboeta em simultâneo com uma acção pública de recolha de assinaturas e afirmação dos objectivos da campanha, intitulada «Pela Paz, pela Segurança, pelo Futuro da Humanidade – Pela assinatura por parte de Portugal do Tratado de Proibição de Armas Nucleares».

Como informou na ocasião Ilda Figueiredo, presidente da direcção do CPPC, este expressivo número de assinaturas foi recolhido através da Internet e presencialmente, em papel, graças ao empenho de activistas do CPPC, membros de organizações sociais, associações culturais, desportivas e recreativas e pessoas individualmente consideradas. Contudo, realçou, «há ainda muito caminho a percorrer e muitas mais serão as assinaturas recolhidas, expressão do desejo de paz do povo português».

Na conferência de imprensa o CPPC recordou a sua «acção de sempre em prol do fim das armas nucleares e de destruição massiva e do desarmamento geral, simultâneo e controlado», sublinhando que estas causas assumem hoje uma «importância decisiva», tendo em conta o momento particularmente perigoso que se vive hoje no mundo. Para o CPPC, independentemente de diferenças de opinião que possam existir quanto às razões e responsáveis pelo agravamento da tensão militar internacional, «é certo que uma guerra nuclear, fosse quem fosse que a iniciasse, teria consequências catastróficas para toda a Humanidade».

Humanidade ameaçada
A urgência de pôr fim a este tipo de armamento de destruição generalizada é de tal ordem que bastaria a utilização de uma pequena parte das bombas atómicas existentes para que a vida na terra ficasse seriamente ameaçada: para além da morte imediata de todos os que se encontrassem num raio de vários quilómetros do local do impacto e da morte lenta de muitos outros, por exposição à radiação, uma guerra nuclear – que nos dias de hoje nunca seria localizada num único país ou região – «teria igualmente efeitos duráveis sobre o ambiente, conduzindo a alterações meteorológicas globais catastróficas que persistiriam por vários anos».

Citando dados da Federação de Cientistas Americanos, o CPPC revela a existência, hoje, de 16 mil ogivas nucleares, 15 mil das quais em poder dos Estados Unidos e da Federação Russa. As restantes estão nas mãos da Grã-Bretanha (215), França (300), China (270), Índia (110-120), Paquistão (120-130), Israel (80) e República Popular Democrática da Coreia (menos de 10). Para além destes, outros cinco países – Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia – acolhem armas nucleares dos EUA no seu território, que se encontram igualmente espalhadas pelo mundo, em centenas de bases militares e esquadras navais. Das bombas nucleares existentes, 1600 estão em estado de «alerta máximo».

Comentando a posição do Governo português de não aderir ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares devido aos seus compromissos com a NATO, o CPPC lembra que a Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 7.º, exige a «dissolução dos blocos político-militares» e defende o «desarmamento geral, simultâneo e controlado». Ou seja, acrescentam, entre a NATO e o tratado a opção é clara, «pelo desarmamento, paz e a rejeição do militarismo e da guerra».

Movimento da paz deu voz à solidariedade com a Palestina

No dia 31, ao final da tarde, Lisboa voltou a ser palco de uma acção de solidariedade com a Palestina, junto à Embaixada de Israel, convocada pelo CPPC, CGTP-IN, MDM e MPPM. Mais de uma centena de pessoas reuniram-se no local para acompanhar a delegação que ali se dirigiu para entregar uma carta, dirigida ao primeiro-ministro de Israel. Momentos antes, na Embaixada dos Estados Unidos, foi entregue outra missiva, endereçada ao presidente Donald Trump.

Em ambas as cartas, as organizações realçam que a decisão dos Estados Unidos de reconhecerem Jerusalém como capital de Israel «viola de forma gravíssima o direito internacional e põe em causa numerosas resoluções da ONU, incluindo a Resolução 2334 do Conselho de Segurança, de 2016, que explicitamente menciona Jerusalém Oriental como “território palestiniano ocupado”, e a Resolução 478 do Conselho de Segurança, de Agosto de 1980, que apelou aos estados membros para que retirassem as suas missões diplomáticas de Jerusalém». Os EUA, com esta decisão, colocam-se ainda à margem do consenso internacional, expresso na Resolução 67/19 da Assembleia-Geral da ONU, de 2012, que defende a solução de dois estados, «com um Estado da Palestina independente, soberano, democrático, viável e contíguo, vivendo lado a lado com Israel em paz e segurança com base nas fronteiras anteriores a 1967».

Esta questão foi o ponto de partida para as intervenções proferidas no local pelos representantes das quatro organizações promotoras, que denunciaram ainda o alargamento dos colonatos, os milhares de presos políticos palestinianos nas prisões de Israel (muitos dos quais menores), as torturas e os assassinatos. Só desde o início deste ano já foram mortos quatro jovens palestinianos pelas forças de ocupação.

Os quatro oradores prometeram que a solidariedade com o povo palestiniano continuará a expressar-se em Portugal até que aquele veja respeitados os seus direitos humanos e nacionais e o Estado da Palestina seja uma realidade.

Concerto pela Paz

O CPPC promove no dia 18 de Fevereiro, a partir das 16 horas, no Rivoli Teatro Municipal, no Porto, mais um concerto pela Paz. Participam Miguel Araújo, Ginasiano Escola de Dança, Coral de Letras da Universidade do Porto, Conservatório de Música do Porto e Bando dos Gambozinos. A entrada é livre, limitada à lotação da sala.




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