Fesete insiste no fim dos salários baixos
«Num contexto de crescimento recorde das exportações», é «da mais elementar justiça pôr fim às políticas continuadas de baixos salários, responsáveis pelo aumento acelerado das desigualdades entre o capital e o trabalho», defende a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal.
A Fesete/CGTP-IN divulgou no dia 12 as reivindicações apresentadas às associações patronais dos têxteis, vestuário, calçado, curtumes e chapelaria, que têm 600 euros, como salário mínimo mensal, e um subsídio de refeição no mínimo de quatro euros por dia. As negociações dos sete contratos colectivos de trabalho, abrangendo cerca de 180 mil trabalhadores, deverão iniciar-se este mês.
Como traço comum, a Fesete refere que «os sectores têm nos últimos anos apresentado resultados excelentes no que respeita ao crescimento do valor das exportações, esperando-se que em 2017 sejam atingidos os valores mais elevados de sempre».
Estes resultados, assinala a federação, foram alcançados «com menos trabalhadores do que há 15 anos», o que significa que «hoje produzimos produtos e serviços com mais inovação, qualidade e valor, com ganhos de produtividade e lucros elevados».
Perante o «aumento da produtividade e da riqueza gerada», a Fesete considera que «é de uma profunda injustiça a maioria dos trabalhadores da produção ter salários iguais ou próximos do salário mínimo nacional». Nota ainda que «este modelo de baixos salários é uma das principais causas para a falta de jovens» nas fábricas.