SECÇÃO O PARTIDO NAS EMPRESAS

Combater a exploração no sector automóvel

Na Autoeuropa, a célula do PCP editou já este mês um novo número do boletim «O Faísca», no qual desmonta muito do que erradamente tem sido dito na comunicação social acerca da empresa e esclarece a posição do Partido. Os comunistas realçam, a dada altura, que a empresa tem «andado nas bocas do mundo», nomeadamente por intermédio de «comentadores encartados, historiadores, papagaios de serviço, gente que nunca entrou numa fábrica nem sabe o que é uma linha de montagem».

Comentando a mensagem de Natal do director de produção da fábrica, que valoriza os indicadores positivos registados no final do ano e o «trabalho muito bom» feito por «toda a equipa da Autoeuropa», o PCP garante não compreender por que é que face a este reconhecimento são os trabalhadores da empresa tão mal tratados pela administração. A célula realça que «se dos bons resultados se esperava uma justa compensação e o reconhecimento em actos ao indispensável papel dos trabalhadores da Volkswagem Autoeuropa no sucesso alcançado, a verdade é que não é nada disso que se verifica».

Pelo contrário, sublinha, o caminho que a administração tem seguido é «contrário às afirmações que faz», o que tem levado ao descontentamento dos trabalhadores. Em vez de insistir no diálogo sério com os trabalhadores e suas organizações representativas, veio agora anunciar a aplicação administrativa do modelo de horário de trabalho. A insistência no referendo por parte da Comissão de Trabalhadores foi um erro, face às objecções levantadas pelos trabalhadores nos plenários, realça a célula, lembrando a posição dos membros da Lista C, favorável ao adiamento da consulta.

Os comunistas da Autoeuropa garantem ainda que foram os trabalhadores que fizeram a história da empresa e serão sempre eles os «principais protagonistas a definir a empresa que queremos com sucesso e com os nossos direitos salvaguardados». A reafirmação por parte da CT de manter relações de cooperação com a Comissão Sindical e o SITE-Sul, da CGTP-IN, «é um bom indicador». É a unidade dos trabalhadores que levará a administração a percorrer outro caminho, conclui.

Noutra empresa do sector automóvel, a Renault Cacia, a célula do PCP está a distribuir um comunicado aos trabalhadores sobre a nova Grelha Salarial Interna (GSI), de que tanto se fala mas cujo conteúdo é ainda desconhecido. Realçando que da administração da fábrica não costuma vir nada de positivo para os trabalhadores, a organização do Partido adianta um conjunto de ataques aos direitos e arbitrariedades que podem vir associados à GSI.

«E se a partir de agora, para mudar de escalão, fosse preciso ir a uma entrevista demonstrar que se estava disponível para tudo o que a empresa achasse e deixasse de achar (mudanças de turno, trabalho em dias feriados, alteração das férias, mudança de função ou local de trabalho)? E se a partir de agora, para mudar de escalão, além do tempo trabalhado, ainda tivesses de estar três anos seguidos a trabalhar melhor do que os do mesmo escalão de que fazes parte? E, sendo assim, se todos trabalhassem no limite e todos fossem “Excelentes”? E se, depois de tudo isso, ainda houvesse um comité composto pelas chefias que dizia se achava ou não que tu tinhas direito a subir de escalão?» – são alguns desses ataques.

Para a célula do Partido é ainda possível que depois de todos estes patamares os trabalhadores pudessem estar ainda dependentes das opções do orçamento definidas pelo Grupo Renault ou de prioridades da fábrica. Alertando para a possibilidade de a administração estar a esconder informação aos trabalhadores, a organização comunista aponta a solução de sempre: o esclarecimento, a organização e a luta.

 



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