Povo contra fraude eleitoral não sai da rua nas Honduras

PRO­TESTOS Os hon­du­re­nhos não baixam os braços pe­rante os re­sul­tados das pre­si­den­ciais de 26 de No­vembro e acusam as au­to­ri­dades elei­to­rais de fraude a favor do ac­tual chefe de Es­tado, Juan Or­lando Her­nández.

«Pu­seram os mortos a votar», iro­niza Sal­vador Nas­ralla

LUSA

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A in­dig­nação é de tal forma ampla que mesmo pe­rante o re­co­lher obri­ga­tório de­cre­tado pelo go­verno das Hon­duras, no final da se­mana pas­sada, mi­lhares de pes­soas con­ti­nuam em pro­testo contra o que con­si­deram ter sido uma «cha­pe­lada elei­toral». A re­pressão das ma­ni­fes­ta­ções já pro­vocou a morte a sete pes­soas e fe­ri­mentos graves em 20.

An­te­ontem, uni­dades an­ti­motim da po­lícia anun­ci­aram que se man­te­riam aquar­te­ladas porque também «são parte do povo», re­cu­sando-se a obe­decer às «or­dens de alto nível» que os mandam aplacar a con­tes­tação. O can­di­dato opo­sitor Sal­vador Nas­ralla apro­veitou a oca­sião para apelar às forças ar­madas a que sigam «o exemplo pa­trió­tico» da po­lícia.

Nos pri­meiro dados di­vul­gados pelo Su­premo Tri­bunal Elei­toral, na ma­dru­gada de dia 27, Sal­vador Nas­ralla surgia à frente de Juan Or­lando Her­nández com uma di­fe­rença de cinco pontos per­cen­tuais. Con­tudo, de­pois de o STE anun­ciar fa­lhas no sis­tema in­for­má­tico, a vo­tação do ac­tual pre­si­dente das Hon­duras (que de resto foi can­di­dato apesar de a Cons­ti­tuição o im­pedir de con­correr a um se­gundo man­dato) co­meçou a acercar-se da do can­di­dato da opo­sição e, de acordo com os úl­timos dados ofi­ciais, este terá mesmo ven­cido o su­frágio com 42,98 por cento dos votos, contra 41,3 por cento re­co­lhidos por Nas­ralla.

«Pu­seram os mortos a votar e até gente que vive nos EUA», acusou en­tre­tanto Sal­vador Nas­ralla, que exige o es­cru­tínio de todas as mais de 5100 actas do pleito, o que é re­cu­sado pelo STE com o ar­gu­mento de já ter re­visto cerca de 1600.

Entre as provas de fraude elei­toral são in­vo­cadas a con­fir­mação por parte de um ma­gis­trado do STE da «vi­tória ir­re­ver­sível» de Nas­ralla, bem como o facto de em três re­giões a taxa de abs­tenção ser me­tade da ve­ri­fi­cada no resto do país.




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