Vaga de indignação contra ataque à democracia
CATALUNHA Centenas de milhares de pessoas manifestaram-se, dia 21, em Barcelona, exigindo respeito pelas instituições democráticas catalãs, após Madrid ter decidido destituir os órgãos regionais eleitos.
A destituição dos órgãos catalães provocou uma onda de repúdio
A manifestação foi inicialmente marcada para exigir a libertação de Jordi Sanchez e de Jordi Cuixart, dirigentes das associações independentistas Assembleia Nacional e Omnium Cultural, respectivamente, encarcerados pelo crime de sedição.
Porém, na manhã de sábado, o governo espanhol acrescentou um novo motivo de maior indignação ao anunciar a suspensão, na prática, da autonomia regional, com a destituição do governo catalão, a limitação das competências do parlamento e a convocação de eleições antecipadas no prazo máximo de seis meses.
Convocado pela Mesa pela Democracia, uma plataforma que integra 70 organizações, incluindo não independentistas como as centrais sindicais Comissões Obreiras e União Geral dos Trabalhadores, no protesto de sábado convergiram amplos sectores da sociedade catalã sob o lema «Em defesa dos direitos e liberdades».
Tendo recusado os reiterados apelos ao diálogo lançados pelo governo regional, o executivo de Mariano Rajoy decidiu aplicar pela primeira vez o artigo 155.º da Constituição para «repor a legalidade institucional da Catalunha».
A intervenção do Estado espanhol na Catalunha prevê também que Madrid passe a controlar directamente a polícia e a televisão regionais, que considera estarem nas mãos dos movimentos separatistas.
As medidas adoptadas em Conselho de Ministros, apoiadas pelos partidos Cidadãos e PSOE, serão examinadas amanhã, sexta-feira, 27, pelo senado, câmara alta do parlamento espanhol, órgão onde o Partido Popular tem maioria absoluta.
Hoje, uma sessão plenária do parlamento catalão irá debater a nova situação e as respostas às medidas aprovadas por Madrid.
A sessão realiza-se a pedido do grupo parlamentar Juntos Pelo Sim (JxSí) que sustenta o Governo regional. O JxSí é uma coligação de partidos independentistas que inclui o Partido Democrático Europeu Catalão (PDeCAT, direita), do presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC).
Ao início da tarde de dia 21, o chefe do Governo da Catalunha, Carles Puigdemont, declarou que os catalães vão resistir «de forma pacífica» ao «ataque à democracia», solicitando que o parlamento regional se reunisse para decidir sobre «a intenção de liquidar» o governo catalão.