País tem de produzir mais para crescer mais
ECONOMIA Para a economia crescer e o País avançar é preciso defender a produção nacional, considera o PCP face aos dados do INE que indicam um crescimento do PIB em 2,8% no 2.º trimestre de 2017.
«Não é cortando nos salários, reformas, pensões, serviços públicos e no investimento público, como vinha acontecendo com sucessivos governos (com particular incidência com o governo PSD-CDS), que a economia pode crescer e o País avançar», afirmou Vasco Cardoso, da Comissão Política, comentando os dados divulgados dia 14 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que mostram um crescimento da economia de 0,2% no 2.º trimestre deste ano face ao trimestre anterior e de 2,8% quando comparado com o mesmo período do ano passado.
Apesar de este crescimento, pelo segundo trimestre consecutivo, ser o mais positivo dos últimos 10 anos, igualando o crescimento verificado no último trimestre de 2007, os dados também «reflectem os próprios limites da situação económica do País», considera o PCP. Em declarações à imprensa, o dirigente do Partido fez notar que se é um facto que o crescimento de 2,8% é importante do ponto de vista da recuperação económica, não é menos verdade que «esse crescimento é travado e de certa forma limitado pelos desequilíbrios que a economia revela, na medida em que com o aumento do consumo, do investimento e das exportações têm aumentado significativamente as importações».
Como o PCP tem reiterado, «é preciso apoiar o aparelho produtivo nacional, é preciso apoiar a produção nacional, é preciso substituir importações pela produção nacional para permitir que este crescimento deixe de ser um elemento apenas de passagem, mas seja um elemento que se consolide no futuro e isso implica designadamente a defesa da produção nacional».
É pensando nas necessidades do País que o PCP encara o Orçamento do Estado para 2018, enfatizou ainda Vasco Cardoso, para quem é uma «evidência que este crescimento económico que se tem vindo a registar é um estímulo para que se prossiga o rumo da reposição de direitos e de rendimentos e não para que se regresse a períodos de cortes nos salários e nas pensões».
«É com esse objectivo que vamos discutir este Orçamento do Estado, colocando em cima da mesa a necessidade de se ir mais longe do ponto de vista das pensões, das prestações sociais, dos salários, dos direitos dos trabalhadores da administração pública, do funcionamento dos próprios serviços públicos e do investimento de que o País tanto precisa para defender a produção nacional», concretizou.