Contestação continua no Norte de Marrocos
PROTESTOS As autoridades proibiram uma manifestação marcada para esta quinta-feira, 20, em Al-Hoceima, centro de uma vaga de contestação popular que atinge o Norte de Marrocos desde há meses.
Manifestantes exigem agora o desenvolvimento da sua região
Desde a prisão do líder do movimento, Nasser Zefzafi, em 29 de Maio, os protestos repetem-se em Al-Hoceima, informa a revista Jeune Afrique e a agência francesa AFP. Outras cidades, como Rabat, têm sido teatro de manifestações semelhantes.
Quanto à acção prevista para hoje, «foi decidido não autorizar a realização desta marcha», anunciou a prefeitura da cidade, em comunicado citado pela MAP, a agência noticiosa marroquina. Uma proibição justificada por questões administrativas e por constituir uma acção que «atenta contra o direito da população a um ambiente securitário sereno».
O apelo à manifestação foi feito, originalmente, por Nasser Zefzafi, o líder do Hirak («Movimento», designação local da onda de protesto), na cadeia. O que o não impediu de ser difundido através das redes sociais, apesar da prisão de quase todos os líderes da agitação.
As autoridades pediram «aos organizadores potenciais» que se conformassem com a decisão e preveniu que «todas as medidas necessárias» foram adoptadas para a aplicar.
Os organizadores previam, antes da proibição, «uma marcha pacífica» para exigir a libertação dos dirigentes do Hirak presos, bem como para protestar «contra a repressão» e «manter o combate popular contra o makhzen [poder]». O momento escolhido coincide com o regresso, em férias, idos da Europa, de numerosos habitantes da região do Rif que mostram forte apoio ao Movimento.
As acções contestatárias, em toda a província marroquina de Al-Hoceima, começaram há meses, com a morte de um vendedor que reclamava contra a apreensão do peixe que vendia.
Os manifestantes, sobretudo jovens, exigem agora, além da liberdade dos seus líderes, o desenvolvimento da região, historicamente marginalizada pela monarquia de Marrocos.