Comício no Porto assinala aniversário do PCP

COMÍCIO Ginásio repleto de gente aquele da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que no sábado, dia 12, acolheu meio milhar de militantes e amigos que aí celebraram o 96.º aniversário do PCP.

O mundo está mais injusto e perigoso desde o fim da URSS

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Notório entusiasmo na plateia, onde também se percebia um ambiente orgulhosamente sorridente, advindo certamente da peculiaridade daquela iniciativa que, sendo sempre um momento marcada e firmemente político, é também uma celebração e a afirmação do colectivo partidário e da sua história com quase um século de existência. Entusiasmo que, aliás, se fez logo sentir desde que se ouviram as primeiras notas musicais produzidas pelos Amigos de Abril, banda a quem ficou a cargo o momento cultural e que ali trouxe as «Sete Mulheres do Minho» e «A Morte Saiu à Rua», de José Afonso, ou «Proibido Adivinhar», de Sebastião Antunes, entre outras, e sendo sempre todos os temas vigorosamente aplaudidos.

A primeira intervenção da tarde coube a Alexandra Pinto que em nome da JCP reafirmou a «confiança, alegria e alento» no PCP, «partido que, com a sua longa história, deu mais que provas de que nunca virará a cara à luta e de que o seu único compromisso é com a classe operária, os trabalhadores, o povo e a sua juventude». A jovem comunista continuou elencando as lutas já agendadas: a 16 e 23 de Março, os estudantes, respectivamente dos ensinos Básico e Secundário e do Superior, sairão à rua «em defesa da escola pública de Abril» e por «mais acção social e pelo fim das propinas»; a 28 de Março é a vez dos jovens trabalhadores realizarem uma manifestação nacional, convocada pela CGTP-IN com o «importante contributo da Interjovem».

Cristiano Castro, membro do executivo da Direcção da Organização Regional do Porto do PCP, lembrou os «milhares de militantes e amigos que, de diversas formas, um pouco por todo o lado», e tal como naquele ginásio, «assinalam um ponto de viragem na história do nosso País: a fundação do Partido Comunista Português». Aquele dirigente comunista referiu-se ainda a diversas empresas e locais de trabalho do distrito onde se vive uma «intensa acção» de luta pelos direitos dos trabalhadores, quer no sector público quer no privado, realçando ainda a importância de, desde já, «preparar e mobilizar» os trabalhadores e as populações para as comemorações populares do 25 de Abril e as manifestações do 1.º de Maio.

Luta continua e continuará

Jerónimo de Sousa, a quem coube a última intervenção da tarde, começou por caracterizar aquelas comemorações como decorrendo num «ambiente de renovada confiança que é resultado do êxito» do XX Congresso do PCP, realização que o Secretário-geral considerou que «confirmou e reafirmou a sua identidade como Partido da classe operária e de todos os trabalhadores», o seu Programa de democracia avançada e os seus objectivos supremos, a construção do socialismo e do comunismo.

Referindo-se à situação internacional, Jerónimo de Sousa relembrou o papel da União Soviética, resultante da «primeira experiência de edificação do socialismo», que encetou um «extraordinário processo de transformação social e que projectou profundas transformações a nível planetário a favor dos trabalhadores e dos povos». Hoje, com as consequências da derrota dessa experiência, é incontestável reconhecer «dramaticamente quanto o mundo está mais injusto e perigoso». O desaparecimento da URSS e do campo socialista, acrescentou, traduziu-se no «agravamento das perversões do sistema capitalista e no acentuar da sua natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora».

No que concerne à situação nacional, o Secretário-geral do PCP relembrou que «nesta nova fase da vida política nacional concretizaram-se medidas no plano da reposição de rendimentos e direitos, com impacto na economia, que travaram o caminho de declínio e intensificação da exploração e empobrecimento». Mas, alertou, tal facto «não ilude quanto caminho falta fazer, quantas limitações urge ultrapassar». Portugal, reafirmou, precisa de uma política patriótica e de esquerda, em ruptura com as «receitas e caminhos que afundaram o País».

Valorizando os avanços e conquistas alcançados, Jerónimo de Sousa garantiu que uns e outras, «inseparáveis da contribuição e da iniciativa do PCP e da acção e luta dos trabalhadores», só se tornaram possíveis «numa correlação de forças em que o PS não dispõe de um governo maioritário». A propósito da luta, o dirigente comunista realçou que apesar de muitos não gostarem, ela «continua e continuará».

O Secretário-geral do Partido destacou ainda a importância da «afirmação distintiva do projecto da CDU» nas próximas eleições autárquicas, as quais constituem uma «batalha política de grande importância».

 



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