Valorização da Fortaleza de Peniche

Espaço de memória

A URAP reclama um Museu da Resistência e Liberdade para o Forte de Peniche e defende a instalação, no mesmo local, de um memorial com os nomes dos 2500 antifascistas que estiveram presos naquela cadeia fascista.

«Manifestação de apego aos valores da liberdade e da democracia»

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Por razões de impacto e de simbolismo, o memorial, ao ar livre, deverá estar na zona central e frontal dos pavilhões do Forte, defende a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), num documento aprovado, por unanimidade, no dia 26, em reunião realizada na sala grande da Confederação das Colectividades de Lisboa.

No texto, ex-presos políticos em Peniche, familiares e amigos de outros presos, democratas de diversos quadrantes e promotores da petição «Forte de Peniche – Defesa da memória, resistência e luta», que foi entregue, no dia 5 de Outubro de 2016, na Assembleia da República, com 9600 assinaturas, valorizam «o amplo e poderoso movimento de opiniões que, com diversas expressões, rapidamente se ergueu contra o propósito da concessão a privados para fins de exploração hoteleira da Fortaleza de Peniche, numa importante manifestação de apego aos valores da liberdade e da democracia e de consciência colectiva do imperecível lugar da resistência antifascista na história do século XX português».

Regista-se, ainda, como positivo «as informações recebidas sobre os desenvolvimentos entretanto ocorridos sobre este assunto em resultados dos múltiplos contactos com as instituições democráticas, com a autarquia local e com diversos departamentos do Estado».

Mais valências

Para além da proposta do museu e do memorial, o documento aponta outras «ideias fundamentais», onde se inclui «um numeroso e moderno conjunto de valências (centros interpretativos, salas de exposições e projecção, serviços de apoio aos visitantes)».

Entretanto, para garantir «a preservação de todo o património edificado», a URAP recusa a «demolição de qualquer dos três blocos prisionais (os denominados A, B e C)» e defende o «afastamento definitivo de projectos de exploração hoteleira que são manifestamente incompatíveis com aquele lugar enquanto espaço de celebração de uma dorida memória, mas que certamente seriam bem-vindos e úteis ao concelho em outras atraentes localizações de que este dispõe».  


Símbolo da luta pela democracia

O Grupo Consultivo do Forte de Peniche – constituído no dia 27 e presidido pela directora-geral do Património, Paula Silva – esteve reunido, anteontem, 31, com o ministro da Cultura. Num prazo de três meses, o grupo apresentará uma proposta sobre os usos possíveis para a Fortaleza, que, segundo o Ministério da Cultura, «terá de respeitar a história do monumento, desde a fundação, compatibilizando as funções do espaço com a preservação da memória da sua história recente enquanto símbolo da luta pela democracia, garantindo a sua fruição pública e com a necessária viabilidade económica».

Passo positivo

Em nota do seu Gabinete de Imprensa, o PCP considerou, dia 27, que a constituição do grupo é positiva – na sequência da retirada da Fortaleza de Peniche do programa Revive, com o abandono do projecto que lhe estava associado – no «caminho para a recuperação, requalificação e valorização da Fortaleza de Peniche como monumento estratégico para a afirmação e valorização da luta de resistência contra o fascismo, pela liberdade e a democracia».

Para os comunistas, o passo agora dado «converge com os objectivos daqueles, comunistas e outros democratas, que defenderam e defendem a preservação daquele património, pelo que representa de testemunho da luta do povo português pela liberdade, a justiça e a defesa dos valores da revolução de Abril».

O PCP reitera, ainda, a sua «determinação de contribuir para a valorização da Fortaleza de Peniche como espaço de memória, de afirmação da liberdade e democracia, espaço de fruição pública, popular e cultural, de relevante importância nacional e mesmo internacional, aberto à população de Peniche e a todo o povo português».

Por fim, reafirma que «a preservação da memória histórica da luta contra o fascismo é uma responsabilidade não só daqueles que, como o PCP, resistiram e lutaram pela liberdade e a democracia, mas também uma obrigação de todos aqueles que consideram essa memória e esses valores como património nacional, elemento fundador e enquadrador da democracia portuguesa, tão mais importante quanto a situação internacional convoca para a intensificação da luta contra as ideologias reaccionárias e fascistas».




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