Bascos defendem paz
Uma multidão exigiu no sábado, 14, em Bilbau, o direito de regresso dos presos e exilados bascos e acusou o Estado espanhol de prolongar um regime de excepção, inviabilizando a pacificação do país.
2017 tem de ser o ano da paz no País Basco
À manifestação convocada pela rede cidadã Sare, constituída para defender os direitos dos presos e exilados em resultado do conflito no País Basco, compareceram cerca de 80 mil pessoas, calcularam meios de comunicação social locais. Entre os que desafiaram a chuva e o frio que se fizeram sentir durante a tarde/noite de sábado na cidade de Bilbau, estavam milhares de familiares e amigos de presos e ex-presos e exilados políticos bascos.
A anteceder a marcha que se realiza todos os anos no mês de Janeiro, a associação que reúne aqueles apelou à mobilização do conjunto da sociedade basca em torno dos objectivos centrais da acção de massas. Em comunicado, a Etxerat denunciou igualmente que há cinco anos (referência ao período decorrido desde que a ETA anunciou a deposição definitiva das armas) que esperam que os estados espanhol e francês comecem a dar passos efectivos no sentido da pacificação do País Basco.
Desde logo permitindo que os encarcerados e exilados regressem ao território, acabando com uma punição colectiva que obriga os familiares e amigos a percorrer milhares de quilómetros até aos cárceres onde se encontram os detidos. Nalguns casos semanalmente, havendo um impressivo registo de acidentes rodoviários incluindo com vítimas mortais.
A Etxerat pronunciou-se, também, pela libertação dos condenados gravemente doentes e daqueles que já cumpriram a maior parte da pena, assim como pelo reconhecimento do direito dos exilados a regressarem às respectivas terras.
Simbólico
De dedo acusador em riste (imagem da campanha lançada há meses pela Sare), milhares apoiaram estas reivindicações. A encabeçar o desfile, encontrava-se a viúva de um agente da polícia autonómica executado pela ETA. Ao desfilar lado-a-lado com a filha de um membro do Herri Batasuna assassinado pelos paramilitares dos GAL (que actuaram nos anos 80 do século passado com a cumplicidade dos governos do PSOE em Espanha), a viúva do «Ertzaina» acrescentou uma carga simbólica àquilo que os promotores da manifestação sublinharam: 2017 tem de ser o ano da resolução do conflito e da paz no País Basco.
O porta-voz da Sare, citado por meios de comunicação sociais regionais e nacionais, lembrou, aliás, que a manifestação foi uma iniciativa «plural», que agregou vontades muito além da «esquerda independentista», portanto, embora esta tenha estado presente em força. Designadamente através de delegações em representação das duas maiores centrais sindicais bascas, a ELA e a LAB, e das forças e militantes da coligação EH Bildu, de que faz parte o partido Sortu, para quem, afirmou um seu dirigente presente no desfile, sarar as feridas no País Basco começa no respeito pelos direitos humanos de presos e exilados, e avança com a vontade de alcançar uma paz justa e definitiva.
O contrário, isto é, a manutenção do regime de excepção e da actual política penitenciaria, assim como a continuidade da estratégia de guerra quando as armas foram já silenciadas por parte da ETA, corresponde à manutenção absurda de uma orientação que encontra apenas argumentos na vingança, expressaram, por seu lado, os porta-vozes da Sare.