Situação, problemas, reivindicações das novas gerações de trabalhadores. Precariedade

Helena Neves (Membro da Direcção
da Organização Regional
de Portalegre)

A situação dos trabalhadores portugueses degradou-se profundamente nos últimos anos e os jovens trabalhadores são usados pelo capital para levar a exploração o mais longe possível.

Entre 2011 e 2013, mais de 220 mil postos de trabalho ocupados por jovens até aos 34 anos foram destruídos conduzindo a um desemprego real de mais de 400 mil jovens.

Este nível de desemprego, brutalmente elevado, é só uma parte da grande ofensiva que os jovens trabalhadores enfrentam em Portugal.

A precarização do emprego tem avançando e assumido novas formas, sempre com o objectivo de criar instabilidade e fintar a luta dos trabalhadores.

As empresas têm à sua disposição múltiplas medidas activas de emprego promovidas pelo IEFP, entre contratos de emprego e inserção, estágios e compensações por empregar jovens à procura do primeiro emprego: 90 por cento das ofertas de emprego registadas no IEFP correspondem a contratos de trabalho não permanentes.

Estas relações contratuais proliferam por todos os sectores onde a ameaça de desemprego por via da não renovação do contrato é real. Na maioria dos locais de trabalho a relação entre o número de jovens trabalhadores e o número de contratos de trabalho precários é flagrante. Através de empresas de trabalho temporário contratam trabalhadores jovens, à semana, ao dia, à produção, deslocalizando-os e sujeitando-os a horários de trabalho desregulados. São milhares os jovens com contratos de trabalho cuja duração não permite sequer aceder ao subsídio de desemprego no final do contrato, sem qualquer possibilidade de traçar um plano de vida a longo prazo, como a compra de casa, de carro, a constituição de uma família, a inscrição dos filhos numa creche.

Por todo o lado, novas estratégias de exploração são usadas diariamente. Aproveitando a recente entrada no mercado de trabalho e não lhes proporcionando tempo para se esclarecerem e organizarem junto da sua classe, o capital isola os jovens trabalhadores, apresentando-lhes ritmos de trabalho absurdos, colocados como inevitáveis, com o acordo da ACT e do IEFP que fecham os olhos e ainda ajudam a convencer os trabalhadores de que é melhor isto do que nada.

Mesmo inexperientes em matéria laboral e sem conhecimento das leis mínimas, os jovens trabalhadores sabem que isto não pode ser o fim da linha e que as duras condições de trabalho que lhes são impostas não são suportáveis por mais 30 ou 40 anos. Estes trabalhadores são fundamentais para o rejuvenescimento do movimento sindical unitário de classe e nós, os trabalhadores comunistas, conscientes da importância da luta de massas, temos de assumir como tarefa prioritária o reforço da intervenção sindical nos locais de trabalho. Para que a luta continue é necessário que outros peguem nas bandeiras de luta dos trabalhadores, as ergam alto, demonstrando nas empresas e na rua qual é a vontade do povo.




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