Alargar a frente social de luta é condição essencial

Os avanços conquistam-se

O fortalecimento das organizações unitárias dos trabalhadores e de outros movimentos de massas e o alargamento da frente social de luta e da convergência com forças, sectores e personalidades democráticas e patrióticas são, para o PCP, condições indispensáveis à construção da alternativa.

A ruptura com a política de direita e a construção da alternativa patriótica e de esquerda tem como condição essencial o «alargamento da frente social de luta, o envolvimento decisivo da classe operária e dos trabalhadores e a participação massiva de todas as classes, camadas e sectores antimonopolistas» (Resolução Política do XX Congresso). Para concretizar este objectivo, assume particular importância o desenvolvimento da luta de massas por objectivos concretos, por reivindicações laborais, sociais, económicas e políticas em acções de dimensão e impacto variados.

É nesta luta que se forja e aprofunda a consciência social e política e se generaliza a compreensão da necessidade de uma política alternativa capaz de romper com o rumo de exploração, empobrecimento e submissão. É também na luta por objectivos concretos que a luta alastra e se estende a mais sectores.

Como é evidente, ou não fosse a força de vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores, o PCP não fica à espera que esta luta se desenvolva por si própria, antes assume um papel destacado na sua organização e dinamização. No XX Congresso definiu-se como orientações para a intervenção dos comunistas no movimento sindical unitário a salvaguarda das suas características essenciais, o desenvolvimento da acção e da luta reivindicativa nos locais de trabalho e o fortalecimento da organização, através da sindicalização de trabalhadores, a eleição de delegados e a criação e reforço da organização de base.

No que respeita às restantes organizações representativas dos trabalhadores, às estruturas associativas de outras classes e camadas antimonopolistas e a outros movimentos de massas, as decisões vão no mesmo sentido: o de contribuir para defender e ampliar o seu carácter unitário, reforçar as estruturas e desenvolver a sua acção.

Unidade e convergência

O alargamento da frente social de luta pela ruptura com a política de direita e a construção da alternativa patriótica e de esquerda, de natureza antimonopolista e anti-imperialista, tem como outra vertente das suas vertentes essenciais o aprofundamento da unidade e convergência com democratas e patriotas. Esta busca de unidade, realça o PCP na Resolução Política do seu XX Congresso, deve abarcar todos quantos estejam «sinceramente empenhados na concretização do projecto alternativo, tendo como referência a Constituição da República Portuguesa».

O Comité Central de 17 de Dezembro reafirmou «o empenhamento do PCP na convergência de forças, sectores e personalidades disponíveis para a construção da alternativa patriótica e de esquerda» decidindo «desenvolver um vasto conjunto de contactos com personalidades independentes, democratas e patriotas, com aqueles que intervêm nas organizações e movimentos de massas e que estão interessados em convergir no objectivo de encontrar um novo rumo para o País».

Governo patriótico e de esquerda
Emanação da vontade e da luta do povo

Uma política patriótica e de esquerda como a que o PCP propõe requer a existência de um governo que tenha a vontade, a determinação e o apoio necessários à sua concretização. Tal governo, assumem os comunistas, deverá ser constituído com base nas forças e sectores políticos, democratas e personalidades independentes que se identifiquem com a política patriótica e de esquerda e apoiado pelas organizações e movimentos de massas dos sectores sociais antimonopolistas.

Se é certo que esta alternativa e este governo não serão possíveis apenas com o PCP, não é menos evidente que eles não serão concretizados sem os comunistas ou contra os comunistas. Assim, como se afirma na Resolução Política do XX Congresso, o PCP é indispensável em todo o processo de construção da alternativa, incluindo na formação de um governo que lhe dê corpo, cuja viabilidade e apoio político e institucional «está nas mãos do povo português alcançar, com a sua atitude, a sua vontade, a sua luta e o seu voto».




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