O taxímetro da coerência

Manuel Gouveia

Na luta contra a luta do sector do táxi valeu tudo. Alguma comunicação social até descobriu, nalguns casos pela primeira vez, que havia trabalhadores explorados e que eram explorados pelos patrões... «do táxi». Convergindo, alguns esquerdistas do burgo, dos que se dedicam à grande revolução que abalará o facebook, alinharam pelo mesmo diapasão, atacando o PCP por estar solidário com a luta dos «patrões».

Uns não sabem, e os outros ignoram, que há uma razão para o PCP ser hoje respeitado por todo o sector do táxi... (que já agora, escapa a simplismos, e inclui diversas classes e camadas, reflectindo realidades tão diversas como as cooperativas, o pequeno ou médio patrão, o trabalho por conta de outrem, múltiplas formas de precariedade, etc.)

A razão desse respeito é a coerência. A luta contra a exploração dos trabalhadores do sector é uma luta de sempre do PCP, como o é a luta por considerar o táxi como uma parte importante de um sistema de transportes públicos, lutas que agora convergem com a luta contra a entrega do sector às multinacionais e aos monopólios. E o PCP afirma-o frontalmente, no seio da luta e em solidariedade com a luta. Que distância entre as hipócritas preocupações de alguns e a seriedade do Secretário-Geral do PCP quando se dirigiu aos profissionais do sector do táxi no passado dia 30 de Agosto e sublinhou que «As condições de trabalho no sector do táxi estão cada vez mais degradadas. Cada vez é preciso trabalhar mais horas por rendimentos menores. Cresce a exploração e degradam-se as condições de trabalho. E a situação é ainda mais grave nos novos sectores que o Governo quer legalizar, onde a precariedade e a sobre-exploração são a norma. Precisamos de combater este modelo. Não queremos uma sociedade organizada com base nos baixos salários e na precariedade, onde toda a riqueza produzida pelo trabalho é concentrada nas mãos de meia dúzia.»

A luta contra a submissão nacional às multinacionais e aos monopólios é uma luta onde os trabalhadores têm como aliados outras classes e camadas da população. Mesmo em sectores, como é o caso do táxi, onde, por enquanto, o nível de organização dessas outras classes e camadas supera a dos trabalhadores.

 



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