A geração NEET
Quase 15 por cento dos jovens dos países da OCDE não trabalham, não estudam e não estão em formação, indica um relatório divulgado, dia 5, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
O estudo, intitulado «Society at a Glance» (A sociedade num olhar de relance), conclui que «a Grande Recessão provocou uma perda esmagadora de empregos, e os jovens foram particularmente atingidos», sendo que a recuperação tem sido incapaz de devolver empregos aos jovens de entre 15 e 29 anos, em particular aos menos qualificados.
«Oito anos após o início da crise, ainda há cerca de 40 milhões de jovens sem trabalhar, sem estudar e sem estar em formação», afirma-se no prefácio do documento, que alerta para o isolamento dos jovens e afastamento da sociedade com risco para a coesão social.
Estes jovens já são designados pela sigla inglesa NEET («Not in Education, Employment, or Training»), ou seja, não estudam, não trabalham e não estão em formação.
Entre um quarto e um quinto de todos os jovens NEET encontra-se nos países mais atingidos pela recessão, nomeadamente na Grécia, Itália e Espanha.
Em Portugal, depois de ter atingido os 19 por cento entre 2008 e 2013, a taxa de NEET diminuiu para 15 por cento em 2015, ainda assim acima da média anterior à crise (14%).
Esta força de trabalho desperdiçada (sem falar do drama humano) representa a perda de um rendimento bruto calculado pela OCDE entre 360 mil milhões a 605 mil milhões de dólares, ou entre 0,9 a 1,5 por cento do Produto Interno Bruto dos países membros da organização.
O estudo constata ainda que os jovens com níveis de escolaridade inferiores ao Ensino Secundário representam mais de 30 por cento dos NEET e têm três vezes maior probabilidade de não trabalhar e não estudar do que os jovens com uma licenciatura.
Os jovens NEET têm baixos níveis de satisfação com a vida e pouco interesse na política.