Acordos contra os povos
Centenas de milhares de pessoas desfilaram, dia 17, em Berlim e outras seis cidades alemãs em protesto contra os acordos de livre comércio negociados pela Comissão Europeia.
Acordos de livre comércio ameaçam direitos sociais
Em Berlim, os manifestantes concentraram-se na praça Alexanderplatz, no centro da cidade, desfilando em direcção ao antigo lado oriental da capital alemã.
Acções semelhantes decorreram noutras grandes cidades, designadamente Colónia, Hamburgo, Munique, Frankfurt, Leipzig e Estugarda.
A jornada decorreu sob o lema «Por um comércio mundial justo» e foi convocada por uma ampla plataforma integrada por sindicatos, organizações ambientalistas e também religiosas, bem como pelos os partidos políticos Verdes e A Esquerda, que se têm oposto aos tratados de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos (TTIP) e o Canadá (CETA).
Os organizadores calcularam em 320 mil o número de participantes nas diferentes iniciativas: «um sinal claro» que a plataforma «Stop TTIP» espera que seja entendido pelos políticos.
«Os acordos representam um claro perigo para a democracia, para os padrões sociais e ambientais no país. Por isso é preciso impedir a sua ratificação», afirmou em Berlim um porta-voz dos organizadores, citado pelo jornal espanhol, El País.
Também as sondagens têm mostrado que um em cada três alemães rejeita abertamente o acordo de livre comércio com os EUA, contra menos de um em cada cinco (19%) que afirma estar a favor.
Já em ocasiões anteriores os alemães mostraram estar particularmente atentos a esta questão. Em Outubro do ano passado, uma autêntica maré humana (mais de 250 mil pessoas) invadiu Berlim com slogans e alegorias contra o TTIP.
Mais recentemente, em Abril, cerca de 60 mil pessoas repetiram o protesto em Hannover, nas vésperas da vista do presidente dos Estados Unidos à Alemanha.
A forte mobilização da opinião pública tem tido reflexos no comportamento dos políticos. No final de Agosto, Sigmar Gabriel, vice-chanceler, ministro da Economia e presidente dos sociais-democratas, garantiu em entrevista que as negociações do TTIP tinham fracassado.
Porém, as suas declarações foram recebidas com desconfiança e depressa foram apontadas contradições ao governante. Entre os cartazes empunhados pelos manifesta-se podia ler-se: «Gabriel vilão, enganaste o povo», numa alusão à sua posição favorável ao acordo com o Canadá (CETA), a qual aliás está a dividir o seu partido.