Por que mentes, Mendes?

Jorge Cordeiro

No que vai ficando conhecido como um generoso tempo de antena oferecido semanalmente pela SIC ao PSD e ao capital monopolista, Marques Mendes reincidiu nos ataques ao PCP. Fê-lo com recurso ao métodos usuais: mentindo, deturpando, falsificando. Compreende-se o azedume da criatura. O homem não se conforma com o papel desempenhado pelo PCP para interromper o curso da política e das opções que lhe enchia as medidas. Está no seu pleno direito. Se Merkel ou Schauble, Barroso ou Passos Coelho vivem atormentados com o espectro que, pela sua óptica, aí paira não se vê por que Mendes deva ficar-lhes atrás. Até porque em política também os de fraca figura têm direito a fazer-se notar. Como não se conforma com qualquer perspectiva que convirja para manter a Caixa Geral de Depósitos enquanto banco público. Daí que, para Mendes, valha tudo. Quando a realidade e os factos não batem direito com o que quer concluir, distorce as primeiras para não perturbar a professoral alocação com que mói os portugueses que se sujeitem ao seu comentário dominical.

Afirmou Marques Mendes, em jeito de acusação ao PCP, que registava não só o silêncio como a sua concordância quanto aos vencimentos dos administradores, quanto a eventuais matérias relacionadas com a reestruturação do banco como o fecho de balcões ou a um hipotético orçamento rectificativo que a recapitalização venha a suscitar. Alguém minimamente atento, ouvindo Mendes só poderá concluir que é tolo, ignorante ou mentiroso. Fazendo a justiça de afastar a primeira ilação, não admitindo que de ignorância se trate pelo contraste com a escorreita sapiência e conhecimento que a figura revela dos meandros do labiríntico mundo de negócios e da sua inimitável capacidade de anunciar novidades ao mundo, restará por exclusão de partes a última das ilações. Quisesse Mendes acertar o seu passo com a verdade e teria de afirmar que repetidamente o PCP tem tornado público a sua rejeição ao processo que rodeia a nomeação da administração e reafirmado que à recapitalização tem de corresponder o objectivo de preservar a CGD como um banco com papel determinante no sector inseparável do seu objectivo de negócio, rede de balcões e postos de trabalho necessários. A verdade tem um custo e Mendes é dos que não suporta assumi-lo.




Mais artigos de: Opinião

Não te rendas

No fecho desta edição desconhecia-se ainda o resultado da votação no Senado brasileiro que ditará, mais do que o futuro da presidente Dilma Rousseff, o futuro do Brasil. O processo que há nove meses se desenrola para afastar uma presidente reconhecida como honesta até...

Solidariedade<br>anti-imperialista

Entre as linhas centrais da ofensiva do imperialismo, inclui-se o sistemático ataque à soberania dos povos e, particularmente, a estados que, afirmando e defendendo a sua soberania e independência nacionais, representam de alguma forma um factor de contenção à...

Desporto para o povo?

A vitória da selecção nacional de futebol no europeu e uma série de excelentes resultados em várias modalidades, ampliados pela comunicação social de forma exaustiva, produziram um duplo efeito: Uma onda de euforia e, ao mesmo tempo, uma ilusão quanto à realidade da situação em que se encontra o desporto nacional.

50 anos

Para a esmagadora maioria dos que este fim-de-semana cruzarem os portões da Quinta do Cabo, para participarem na Festa do Avante!, a mais bela de todas quantas se fazem em Portugal, abrir-se-á um mundo novo. Com este novo espaço, a Festa não estará apenas maior, mas estará mais...

As contas trocadas<br>de Passos Coelho

Um dos aspectos penosos da «rentrée» é ter que se levar com sucessivos discursos de Passos Coelho. Desta vez na «tradicional festa do PSD em Boticas» manifestou preocupações face à economia, «que não está a correr bem». Expôs as...