50 anos
Para a esmagadora maioria dos que este fim-de-semana cruzarem os portões da Quinta do Cabo, para participarem na Festa do Avante!, a mais bela de todas quantas se fazem em Portugal, abrir-se-á um mundo novo. Com este novo espaço, a Festa não estará apenas maior, mas estará mais aprazível, com novas brincadeiras para as crianças, melhores condições para os amantes do teatro, novas localizações de espaços que tinham posto fixo desde as primeiras festas na Atalaia, novos percursos e centralidades. Todos quererão conhecer os novos cantos e recantos, as novidades que o novo espaço comporta.
Muitos viverão a Festa pela primeira vez e, sendo tudo novo, as luzes, as cores, as músicas, os cenários, os cheiros, os sabores, os afectos, as palavras, o trabalho militante hão-de transportá-los para esse mundo de felicidade com que sonham e por que lutam os comunistas.
Seguramente um dos aspectos que satisfará muito os visitantes são os espaços de sombra que hoje se espalham por toda a Festa. Sombras que, apelemos à memória, nem sempre ali estiveram.
Assim como na Quinta da Atalaia o Partido soube pegar num espaço que era essencialmente vinhedo e plantar centenas de árvores, valorizando-o e assegurando melhores condições para a nossa Festa, também agora, na Quinta do Cabo se pode ver novas árvores (oliveiras, pinheiros, carvalhos) plantadas recentemente.
Uma das árvores que ali foi plantada é um carvalho que vai demorar 50 anos a tomar a sua fase adulta e mais frondosa.
Não posso deixar de pensar que só um Partido como o nosso podia relevar uma tal confiança no futuro. Tal como em 1990, quando alguns diziam que o PCP não duraria nem mais cinco anos e decidimos adquirir a Quinta da Atalaia, não estamos apenas a pensar no dia de amanhã ou na próxima Festa.
O carvalho não dará sombra nem este ano, nem nos anos mais próximos. Daqui a 50 anos, aliás, muitos de nós já cá não estaremos. Mas estarão cá outros visitantes da Festa que ali descansarão de outras voltas e folguedos. E estarão outros comunistas, a regar esse carvalho e, como hoje, a defender os interesses de classe dos trabalhadores e do povo e que, orgulhosos do Partido Comunista que terão, continuarão a empunhar a bandeira vermelha e a afirmar que a luta e a Festa continuam.