Mudar de rumo
Os deputados do PCP ao Parlamento Europeu «deploram e condenam» a forma como o directório da UE «age perante uma decisão legítima e soberana do povo do Reino Unido».
Fugas em frente agravarão tensões e contradições
Em comunicado divulgado dia 28, os deputados do PCP no PE criticaram o «diretório de potências da UE», que acena com «chantagens, aproximando-se de uma espécie de “vingança” contra o povo britânico e lançando sobre ele estigmas que constituem perigos imensos num quadro em que as políticas anti-sociais e de desrespeito pela soberania dos povos abrem campo ao crescimento da extrema-direita».
Os deputados do PCP distanciaram-se assim da resolução conjunta aprovada no mesmo dia no Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas, referindo que o documento «indicia os piores propósitos sobre as opções da maioria do PE» sobre as relações futuras entre a UE com o Reino Unido e «sobre a postura para com aquele povo».
A resolução, que insta à «aplicação rápida do processo de retirada» do Reino Unido, é para os deputados do PCP «um documento inaceitável demonstrativo das opções dominantes no PE em matérias como o respeito pela democracia e pela soberania dos povos».
Além disso, salienta-se no comunicado, a resolução aprovada pela maioria do PE, onde se incluíram os deputados PS, PSD, CDS e MPT, «visa desencadear um processo de dita “negociação” que na realidade pretende transformar a concretização da vontade de um povo numa verdadeira tortura».
Visa ainda, prossegue a nota, «condicionar por via do processo de saída as relações bilaterais entre estados soberanos, condicionando as futuras relações dos estados-membros com o Reino Unido».
Neste contexto, os deputados do PCP sublinham que «Portugal e os seus órgãos de soberania têm todo o direito e o dever de desenvolver com o Reino Unido um quadro próprio de relações económicas, políticas e culturais orientadas pelo princípio do interesse mútuo, da amizade entre os povos e a cooperação entre estados soberanos. Essa é uma inalienável liberdade soberana de cada Estado que nenhum processo negocial conduzido pela UE pode proibir ou condicionar».
Os deputados lembram que o referendo britânico expressou o crescente distanciamento e oposição dos povos da Europa ao processo de integração capitalista, razão pela qual a manutenção do actual rumo apenas agravará os problemas.
«Novas fugas em frente, com novos avanços na concentração de poder no seio da UE, só agravarão tensões e contradições. O que é necessário é consagrar a reversibilidade dos tratados que regem a integração, nomeadamente o Tratado de Lisboa, tendo em vista a sua revogação, a par da revogação do Tratado Orçamental».
Os deputados do PCP reafirmam que «outra Europa é necessária e é possível. Uma Europa que rejeite a exploração e a opressão e se baseie na cooperação, na paz, na solidariedade, no respeito mútuo e na defesa da soberania dos povos».