Democracia em causa
A abertura do processo de destituição de Dilma Rousseff foi aprovada, segunda-feira, 11. A presidente diz tratar-se da maior farsa jurídica e política da história do país.
Julgamento político de Dilma é a maior farsa da história do Brasil
Por 38 votos a favor e 27 contra, a comissão parlamentar especial instalada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aprovou o pedido de abertura do processo de destituição da presidente brasileira. A discussão passa agora para o plenário.
«No cenário mais pessimista, contamos com votos suficientes para travar o impeachment. No mais optimista, ganharemos com uma margem confortável», vaticinou entretanto o ministro-chefe da Secretaria da Presidência, Ricardo Berzoini.
O advogado de Dilma Rousseff, por seu lado, insiste na ilegalidade do processo, designadamente por estar viciado por retaliação (o presidente do Congresso, Eduardo Cunha é um dos investigados por corrupção e terá negociado a aceitação da comissão especial como contrapartida à manutenção da imunidade) e carecer de provas factuais de que a presidente cometeu delitos de responsabilidade.
Se a destituição da presidente avançar, o governo irá apelar ao Supremo Tribunal, garante ainda o advogado de Rousseff.
No mesmo dia em que a comissão votou o pedido de destituição, foi divulgado o áudio de uma conversa do vice-presidente brasileiro, Michel Temer (do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, que rompeu com a coligação governamental), na qual este assegurava ter o número de votos necessários ao impeachement na Câmara dos Deputados: 342.
Dilma Rousseff, por seu lado, reagiu à votação qualificando o julgamento político de que é alvo como a maior farsa da história do Brasil. Lamentou também que a nação viva tempos de ataques à democracia promovidos pela direita revanchista.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) considerou, por seu lado, que a Câmara dos Deputados está confrontada com a opção de votar pela democracia ou pelo golpismo.
Em nota divulgada após reunião do seu Comité Central, ocorrida durante o fim-de-semana, o PCdoB apela ao estado de alerta popular para neutralizar e desmascarar a ofensiva desencadeada pelo poder paralelo, nomeadamente através da operação Lava Jato e da intoxicação da opinião pública por parte dos meios de comunicação social dominantes. O PCdoB apela igualmente à mobilização permanente, com destaque para a convocada para o próximo dia 17, em Brasília e noutras cidades, quando se prevê que os deputados votem o pedido de destituição, decidindo se triunfa o golpismo ou a normalização política-institucional do país.