Aumento da exploração
A conclusão e aplicação do TTIP significará para Portugal e, em particular, para a Região Autónoma da Madeira, uma acrescida destruição do aparelho produtivo, alerta a CDU.
As pequenas e médias empresas confrontar-se-ão com mais e maiores dificuldades
Em conferência de imprensa, realizada no dia 22, no Funchal, Edgar Silva, membro do Comité Central do PCP, referiu que os impactos do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, mais conhecido pela sua designação em inglês, TTPI (Transatlantic Trade and Investment Partnership), serão «especialmente negativos» para os produtores agrícolas da Região Autónoma da Madeira, nomeadamente de banana e do vinho, «produtos de vital importância para a economia regional, para o tecido produtivo e para a subsistência de muitas famílias».
«Com o TTIP», advertiu o também responsável pela Organização Regional da Madeira, «as pequenas e médias empresas confrontar-se-ão com mais e maiores dificuldades, o que levará certamente ao encerramento de muitas delas e, consequentemente, à destruição de postos de trabalho, perda de receita fiscal e aumento das pressões sobre a Segurança Social».
O TTIP visa atingir igualmente os serviços públicos – como a Saúde, a Educação, a protecção social ou o abastecimento de água –, procurando criar as condições que permitam a sua privatização e entrega aos grandes grupos económicos e financeiros, nomeadamente, através da adjudicação de contratos públicos, por via das denominadas parcerias público-privadas, acompanhada pelo enfraquecimento das cláusulas sociais e ambientais que enquadram estes serviços essenciais.
«Como a realidade tem vindo a comprovar, tal terá um desastroso impacto na vida dos trabalhadores e das populações, com a perda do acesso universal garantido pelos serviços públicos, o aumento do preço e a diminuição na qualidade do serviço prestado, a que se acresce a eliminação de postos de trabalho e de direitos dos trabalhadores nestes serviços», observou Edgar Silva.
Rejeição
Depois de ter apresentado as razões fundamentais que sustentam a oposição ao TTIP, o dirigente comunista anunciou que a CDU vai avançar, através dos seus deputados na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, com a apresentação de um voto de protesto e com perguntas à Comissão Europeia, através dos deputados do PCP no Parlamento Europeu, sobre o assunto.
«O TTIP subverte claramente a Constituição da República Portuguesa (CRP) e o próprio regime democrático, na medida em que institucionalizaria um regime jurídico especial para o poder económico que se sobreporia e estaria em confronto com o princípio constitucional que consagra que todos são iguais perante a Lei (artigo 13.º da CRP) e com o enquadramento constitucional para o investimento estrangeiro que estipula que este deve cingir-se à “contribuição para o desenvolvimento do País”, à “defesa dos interesses dos trabalhadores” e da “independência nacional”», destacou.
A conferência de imprensa contou ainda com a presença de Ricardo Lume, deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, e de Herlanda Amado, dirigente do PCP.
Em função das grandes transnacionais
O TTIP, que está a ser negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos da América desde Junho de 2013, tem como objectivo a criação de uma grande área liberalizada de comércio e investimento, que representará quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e um mercado agregado de 800 milhões de pessoas, incorporando cerca de 40 por cento do comércio mundial.
A concretizar-se, este acordo significará a criação do maior espaço de comércio e investimento liberalizado do planeta, e prevê a eliminação de todas as tarifas alfandegárias (que em média se situarão actualmente nos quatro por cento), bem como a remoção de outras barreiras não tarifárias, como normas constitucionais, legais ou regulamentares consideradas como susceptíveis de entravar o denominado livre comércio e investimento – barreiras que podem ser de natureza jurídica, social, sanitária, ambiental, técnica ou outra.
O TTIP, ao procurar reduzir e eliminar protecções existentes e prevenir o surgimento de futuras protecções face ao comércio de mercadorias e serviços, ao investimento e à livre circulação de capitais, visa, fundamentalmente, controlar, determinar e normalizar em função dos interesses das grandes transnacionais as leis e regulamentos que enquadram o comércio, as relações laborais, os serviços públicos, o investimento público e privado, a segurança alimentar e o ambiente, entre outras.