Máscara(s)
O CDS-PP realizou no passado fim de semana o seu congresso. Sobre o acontecimento, nada a dizer, que no PCP temos por hábito não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos. Foi o congresso de quem representa e defende os interesses de classe do grande capital, como, aliás, deixou claro na sua prática dos últimos quatro anos de governo com o PSD. Sempre a cortar nas «gorduras do Estado» e, com estas, sempre a «engordar» os grupos económicos e financeiros.
Mas se do modo como decorreu o conclave nada se dirá, o mesmo não se pode afirmar de dois aspectos especialmente relevantes: por um lado, a descarada cobertura mediática do evento pela comunicação social dominante a tomar parte na operação de branqueamento das pesadas responsabilidades do CDS em quatro anos de um governo que desgraçou a vida a milhões de portugueses; e por outro, as sintomáticas propostas de reformas avançadas pela «nova» liderança: Segurança Social, regime laboral e, como corolário, a nomeação do governador do Banco de Portugal como pretexto para a revisão da Constituição.
Quanto às reformas, sem efeito, no fundo, trata-se das velhas receitas das classes dominantes: privatizar as funções sociais do Estado (continuando o corte nas «gorduras»), reduzir os direitos dos trabalhadores, rever a Constituição como grande obstáculo ao aprofundamento da política de direita, descaracterizar o regime democrático e interromper a actual fase da vida política portuguesa de reposição, defesa e conquista de direitos, ainda que de alcance limitado.
Por mais caras «novas» que mostrem ou renovações que anunciem, não conseguem esconder o projecto que têm e defendem para o País: a velha sociedade estratificada, com o poder da parasitária classe (hoje ainda) dominante que, graças ao serviço de partidos como o CDS-PP, concentra e centraliza imensamente mais riqueza do que a larguíssima maioria da população portuguesa.
Ontem como hoje, esta é a imagem real do CDS. E não há máscaras que consigam esconder a sua verdadeira natureza de classe.