Guerra sem fim no Iémen
Terminaram dia 20 de Dezembro, sem um cessar-fogo consistente e muito menos sem qualquer acordo de paz, as conversações que decorreram em Genebra, na Suíça, sobre o conflito iemenita.
Estarão a ser usadas bombas de fragmentação, alerta a ONU
Segundo o enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, Ismail Ould-Cheikh Ahmed, as partes concordaram, porém, voltar à mesa das negociações a 14 de Janeiro de 2016. Este era o desfecho esperado do primeiro diálogo, uma vez que a trégua provisória foi rompida ainda o encontro em Genebra estava no início, com as forças fiéis ao presidente Mansur Hadi, apoiadas pelas forças armadas sauditas, a aproveitarem para lançar uma grande ofensiva.
O objectivo foi garantir o controlo de toda a costa do Mar Vermelho do país, entre os portos de Áden, no Sul, e de Midi, no Norte, junto à fronteira com a Arábia Saudita. Numa das operações, tropas treinadas por Riade iniciaram mesmo a ofensiva partindo de território saudita, tendo, com o apoio da aviação, garantido importantes avanços no Noroeste do território.
Desde Março do ano passado, a agressão militar liderada pela Arábia Saudita no Iémen já provocou cerca de oito mil vítimas, entre as quais pelo menos 2795 mortos civis confirmados, afirmaram, anteontem, as Nações Unidas.
Por outro lado, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos adverte para as «informações alarmantes» sobre o uso de bombas de fragmentação por parte da coligação integrada por petro-monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo. Pedaços daquele tipo de munição e testemunhos de populares feridos estarão já na posse de funcionários das Nações Unidas, adiantou Rupert Colville, porta-voz da organização.
Os EUA têm sido os grandes apoiantes dos sauditas e da aliança árabe que se uniu na agressão contra o Iémen. O governo norte-americano autorizou, em 2015, a venda de 1,29 mil milhões de dólares (1,22 mil milhões de euros) em bombas a Riade. Reino Unido e a Grã-Bretanha figuram, igualmente, entre os maiores fornecedores militares da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, países aspirantes a potênciais regionais e principais envolvidos na actual campanha militar.