Aproveitar os recursos do País
Na segunda-feira, 23, Edgar Silva participou, no Porto, num encontro com intelectuais e artistas; seguiu-se um jantar em Matosinhos, onde defendeu a aposta na produção nacional e uma distribuição mais justa da riqueza.
Há que valorizar os recursos naturais e saberes adquiridos do País
O Encontro com Artistas, Intelectuais e Quadros Técnicos e Científicos que teve lugar na Cooperativa Árvore contou com a presença de cerca de uma centena de homens e mulheres desta área, destacados agentes culturais do Porto com os quais Edgar Silva teve a oportunidade de falar. Após um momento musical, o mandatário distrital da candidatura, Valdemar Madureira, denunciou a contradição entre o que dispõe o texto constitucional e o que tem sido a prática dos exercícios presidenciais para concluir que o País precisa de um Presidente da República (PR) que cumpra a Constituição – algo que só Edgar Silva está em condições de fazer, pelo seu passado e os valores que defende.
Na sua intervenção, o candidato presidencial começou por criticar o papel de contra-poder assumido pelo actual PR, salientando o confronto deliberado com a Assembleia da República e o absoluto desrespeito pela vontade maioritária do povo português manifestada nas eleições legislativas realizadas a 4 de Outubro.
Tendo em conta o encontro promovido, o local onde se realizou e os participantes nele envolvidos, Edgar Silva referiu-se em seguida ao facto de os direitos à cultura, ciência e investigação científica, previstos na Constituição, não serem respeitados pelos governos, sendo que o último, do PSD/CDS-PP, apenas dedicou 0,1 por cento do Orçamento do Estado para a cultura.
Recordou que a Constituição define que o Estado deve promover a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural; contudo, a política que tem vindo a ser prosseguida é da elitização, bem como a da redução significativa das verbas para a ciência e investigação científica, com fortes repercussões nos seus profissionais e no trabalho desenvolvido.
Terra de pesca
Também em Matosinhos, num jantar que reuniu mais de 200 apoiantes em ambiente de grande entusiasmo, a intervenção do candidato comunista foi precedida pela do mandatário distrital, que recordou as lutas desenvolvidas no concelho contra o regime fascista e pela instauração da democracia. Entre diversas considerações sobre o texto constitucional e a prática de governos e presidentes da República, Valdemar Madureira concluiu que uns e outros têm considerado a Constituição como um estorvo aos seus desempenhos. Por isso, a eleição de um Presidente da República que encare a Constituição como guião para o exercício da função afigura-se uma situação de emergência nacional.
Aposta na produção nacional
Uma parte significativa da intervenção de Edgar Silva foi dedicada à necessidade da aposta no aumento da produção nacional, condição fundamental para se aumentar a riqueza criada no País e, partindo daqui, cumprir o imperativo de melhorar a sua distribuição, elevando o rendimento dos trabalhadores e pensionistas, combatendo as desigualdades, as injustiças e a pobreza.
Dando exemplos daquilo que lhe foi possível verificar nas visitas e encontros realizados ao longo desta pré-campanha, o candidato presidencial sublinhou que o País tem recursos naturais e saberes adquiridos, mas que estes têm sido desprezados ou abandonados. Nos contactos com as populações, têm sido muitas as queixas relativas à falta de políticas que aproveitem e dinamizem a produção.
Defender a pesca
Em Matosinhos, concelho cuja história é indissociável da pesca e onde esta constitui ainda uma actividade com bastante peso, Edgar Silva denunciou o desaproveitamento da zona económica exclusiva – a maior da União Europeia –, o incentivo ao abate da frota verificado há anos, a destruição da indústria conserveira – muitas vezes em favor da especulação imobiliária. É, assim, inadmissível que, com os recursos de que dispõe, incluindo os humanos, Portugal importe muito do peixe que consome; como é inaceitável o sistema de quotas aceite pelo governo PSD/CDS-PP, que levou a que os pescadores portugueses deixassem de exercer a sua actividade profissional, com consequências na sua vida familiar.
Combater a desigualdade
Outro aspecto focado pelo candidato à Presidência da República foi o da premência de uma distribuição mais justa da riqueza, num País onde o número de pessoas em situação de pobreza ou no seu limiar ronda os dois milhões e 800 mil; em simultâneo, cresceu o número de ricos e das suas fortunas, o que faz de Portugal um dos países com maior desigualdade social da UE. A este cenário não são alheias políticas que promoveram cortes nos salários, nas pensões, reformas e prestações sociais, incluindo o subsídio de desemprego e o abono de família.
Em terras transmontanas
Na sua volta pelos distritos de Bragança e Vila Real, no dia 21, o candidato manifestou-se solidário com a reivindicação dos transmontanos em torno da revogação das portagens na A4 e criticou as «políticas de morte social» para com a região, exemplificando com o encerramento de escolas, tribunais e as dificuldades no acesso à saúde.
No jantar que encerrou esta jornada, em Vila Real, o mandatário da candidatura de Edgar Silva no distrito, Paulo Manuel Figueiredo, abordou o impacto negativo das políticas de direita na região, a diversos níveis, e sublinhou que a candidatura de Edgar Silva é a que se compromete com a defesa dos valores de Abril, o cumprimento da Constituição e a afirmação de Portugal como país soberano e independente.