Pôr fim à austeridade
Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se, dia 12, por toda a Grécia, em protesto contra as novas medidas do governo de Alexis Tsipras, no âmbito do terceiro memorando.
Gregos protestam contra mais cortes sociais
Em dia de greve geral, os serviços públicos e outros sectores de actividade estiveram encerrados durante 24 horas.
Escolas, hospitais, transportes urbanos, ferroviários e marítimos não funcionaram. Dezenas de voos domésticos foram cancelados. Museus e sites arqueológicos estiveram fechados. Televisões, rádios e jornais suspenderam as suas edições diárias praticamente na totalidade.
Convocada pelas principais centrais sindicais, em protesto contra a continuação das políticas de austeridade pelo governo de Alexis Tsipras, esta foi a primeira greve geral desde a vitória do Syriza nas legislativas de Janeiro deste ano.
A Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) organizou manifestações próprias em 70 cidades, que tiveram elevados níveis de participação.
Nomeadamente em Atenas, a capital, e Salónica, o segundo centro urbano da Grécia, as manifestações da PAME foram claramente mais numerosas do que as organizadas pelas centrais GSEE (sector privado) e Adedy (sector público), segundo relatos de agências internacionais.
Contradições do governo
Paradoxalmente, o principal partido no poder e alvo prioritário dos protestos não só manifestou o seu apoio à greve como apelou aos trabalhadores a se manifestarem contra «as políticas extremas, impopulares e neoliberais» aprovadas pelo governo devido à «pressão dos credores».
E é o próprio governo que reconhece a injustiça das políticas que aplica. «Estamos a pôr em prática um acordo que inclui medidas injustas», declarou na televisão pública Olga Yerovasili, porta-voz do governo, citada pela agência Reuters.
No entanto, o Syriza «apela à mobilização popular para apoiar o governo nas suas negociações e protestar contra as políticas impostas pela Europa neoliberal», explicou ao l´Humanité Panos Rigas, secretário-geral do partido, presente numa das manifestações.
A incongruência não passou despercebida a um manifestante citado pela agência EFE: «Parece uma loucura, protestamos contra um governo do Syriza que em teoria também apoia esta manifestação».
No entanto, as medidas que o governo se prepara para aplicar não resistem a ambiguidades. As exigências dos credores põem em causa as convenções colectivas, as pensões de reforma e a segurança social ou ainda a moratória vigente que impede a execução das hipotecas sobre a habitação principal. Também estão anunciados novos cortes nos salários da função pública que elevariam para 50 por cento as perdas acumuladas desde 2010.
Ao todo, o pacote de austeridade prevê reduções orçamentais no montante de 11,5 mil milhões de euros.
Estas são algumas das condições que o governo grego subscreveu em troca do desbloqueamento de financiamentos urgentes, nomeadamente dois mil milhões de euros para saldar empréstimos vencidos e dez mil milhões de euros para a recapitalização da banca.
No comício realizado na Praça Sintagma, Olga Siantou, membro do secretariado executivo da PAME, reafirmou que a luta irá continuar até ao fim: «Não temos outra escolha, não há outro caminho».