Direito de resposta
O Secretariado da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP enviou ao Diário de Aveiro uma mensagem ao abrigo do «direito de resposta», previsto na lei. Em causa estava o editorial desse jornal, na edição de 14 de Outubro (replicado, aliás, noutros jornais do mesmo grupo em Leiria, Viseu e Coimbra). No seu texto, o PCP acusa o Diário de Aveiro de conviver «mal com a democracia» e de não ter «memória histórica», quando afirma que no chamado PREC os comunistas «estiveram no poder» e causaram «graves prejuízos ao País». Ora, denuncia o PCP, não só o jornal omite que outras forças integraram também os governos provisórios como pretende apagar da memória dos portugueses os «importantíssimos avanços alcançados na sociedade portuguesa nesse período, que mais tarde viriam a ser inscritos na Constituição».
Recordando que o PCP foi o partido que de forma «mais coerente, persistente e determinada lutou contra o fascismo», o Secretariado da DORAV sublinha que procurar misturar fascismo e comunismo, como faz o Diário de Aveiro, é um exercício de «completo desrespeito pela história do povo português e uma tentativa de branquear» os crimes do fascismo. Aliás, acrescenta o PCP, «sem a derrota do fascismo em Portugal seria impossível que cada um – incluindo o próprio Diário de Aveiro – pudesse exprimir a sua opinião». O Partido realça ainda que o jornal «não está familiarizado com o sistema político português», pois não compreendeu ainda que as eleições legislativas «não se resumem a “ganhar” ou “perder”»; nelas são eleitos 230 deputados, sendo da correlação de forças existente na Assembleia da República que resultam as opções de governo. Cada partido é, assim, responsável pelas opções que toma.