Festa? Qual Festa?
O primeiro fim-de-semana de Setembro foi marcado, do ponto de vista mediático, por um brutal apagamento da Festa do Avante!. Da grande realização político-cultural que marca a agenda de muitos – homens, mulheres, famílias, jovens – pouco transpareceu na comunicação social.
Os principais órgãos de comunicação social olham para a Festa como uma iniciativa exclusivamente partidária, esquecendo a dimensão cultural, desportiva, gastronómica e de convívio entre homens, mulheres e jovens com e sem partido. Um apagamento que só pode ser explicado pelo preconceito para com esta grande realização dos comunistas portugueses, até quando comparado com outros eventos culturais.
Uma opção que, tomada em período pré-eleitoral, podia resultar num maior destaque dado à dimensão política da Festa, aos debates, exposições e, particularmente, ao acto de abertura e ao comício, o maior realizado no nosso País anualmente. Não foi o que aconteceu.
O acto de abertura, com excepção de uma curta peça na RTP, foi ignorado pelos canais generalistas, arrumando a abertura da Festa junto com as reacções à saída de Sócrates da prisão de Évora. No dia seguinte, sábado, não fosse a visita de Marcelo Rebelo de Sousa à Festa do Avante! – e não é novidade que personalidades dos mais variados quadrantes visitem a nossa Festa – quem a quisesse acompanhar pela televisão ficaria a pensar que, afinal, a Festa não são três dias.
Mas o domingo chegou e com ele o comício da Festa e quem tem acesso aos canais informativos pôde acompanhá-lo em directo, a não ser que a opção tenha recaído sobre a TVI24. Isto porque os respeitáveis critérios editoriais de quem a dirige ditaram que, por ordem de importância, primeiro viesse a repetição de um programa sobre videojogos e, uma hora depois do seu início, a maior realização anual de uma força política portuguesa. E tudo sem imagens da Festa, da alegria de quem nela participava, particularmente no final do comício.
Foi um fim-de-semana pródigo em notícias, do jogo a feijões da selecção nacional de futebol à entrega de pizzas em casa de um antigo governante – passando por outros temas manifestamente menores. Mas se descontarmos os comentários ao caso Sócrates e a visita de Marcelo, a presença da Festa nos principais noticiários reduz-se a pouco mais de cinco minutos ao longo de três dias e 15 noticiários. Por comparação, a viagem de comboio de António Costa teve mais de seis minutos nos noticiários da noite de sexta-feira; Marinho Pinto esteve perto de 25 minutos à boleia do caso Sócrates, em directo, na noite de sexta-feira só na TVI; Joana Amaral Dias, a propósito da capa de uma revista, esteve em entrevista mais de nove minutos na noite de sábado na TVI. Até a história do pastel de bacalhau – e não a oferta gastronómica da Festa – teve direito a quase seis minutos no noticiário da TVI de sábado à noite. Não há critérios que resistam à evidência.
Por muito que a procurem ocultar e até – por parte daqueles que não escreveram uma linha sobre o que a Festa do Avante! representa – alimentem preconceitos e semeiem a difamação, a Festa foi bonita, como as páginas do Avante! e todos aqueles que lá estiveram testemunharam.