Problemas do sistema financeiro

Rejeitadas propostas do PCP

A maioria PSD/CDS-PP rejeitou sexta-feira, 5, quase todas as propostas das oposições respeitantes ao controlo do sistema financeiro, viabilizando, através da abstenção, na generalidade, apenas um projecto de lei do BE e outro do PS. Para o PCP, caem assim por terra as alegadas preocupações que alimentaram a propaganda em torno da comissão de inquérito ao caso BES/GES quanto à necessidade de medidas que evitem novos colapsos bancários.

«Toda a política e propaganda que foi montada em torno de um relatório que, supostamente, ia criar as condições para que colapsos bancários desta natureza não tornassem a repetir-se, afinal de contas, ficaram por aí, por meras proclamações sem correspondência com a realidade», afirmou o deputado comunista Miguel Tiago.

Ele que foi um dos três deputados que estiveram em representação do PCP na comissão de inquérito ao BES, reagia assim em declarações aos jornalistas ao resultado da votação ocorrida momentos antes. Miguel Tiago chamou igualmente a atenção para o facto de algumas das propostas da sua bancada irem «ao encontro de recomendações do relatório», um documento que teve o voto contra do PCP, não obstante este se rever em algumas dessas recomendações.

Destacou, nomeadamente, o projecto que se referia à «relação entre o Estado português e empresas sediadas em paraísos fiscais, que o PCP propôs que fossem desde já travadas e que eram uma conclusão do relatório apresentado pela comissão, e que foram rejeitadas pelo PS, PSD e CDS».

O reforço da supervisão do Banco de Portugal, «para não se estar nas mãos de empresa de auditoria externa», foi outra das propostas também rejeitada «apesar de o relatório referir a necessidade de aprofundamento desse papel do Banco de Portugal».

Foram igualmente chumbadas as propostas para a imobilização dos bens da família Espírito Santo, do conselho superior do GES e do BES e a proposta do controlo público da banca.

«Estamos fartos de, após cada comissão de inquérito, ouvirmos que não voltará a acontecer. PS, PSD e CDS dizem com recorrência que não voltará a acontecer e, uma vez após a outra, está sempre a acontecer e os portugueses, com isto, nos últimos anos, já gastaram qualquer coisa como 15 mil milhões de euros», sublinhou, deixando uma nota fortemente crítica ao desenlace deste processo legislativo.

 



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