Venezuela – mais justiça social
No decorrer de uma maciça, colorida e combativa marcha dos trabalhadores, o presidente Nicolás Maduro anunciou novas medidas para debelar a guerra económica da oligarquia crioula apostada em destruir o processo bolivariano, que bombardeado desde fora e dentro do país continua no seu esforço de avançar na rota da justiça social. Desde o Dia do Trabalhador deste ano o ordenado mínimo beneficia de um novo aumento de 20 por centro, a que se juntará um novo aumento de 10 por cento a contar de 1 de Julho. Deste modo o ordenado mínimo saltará de 5634,47 Bs. F. (Bolívar Forte) para 7324,81, ao que se deve somar ainda as senhas mensais de alimentação que podem ir de 2250 a 3375 Bs. F. Estas medidas aplicam-se igualmente aos pensionistas da Segurança Social. Maduro, ex-motorista de transportes públicos, anunciou igualmente que as medidas se aplicarão também à tabela e escala de ordenados da administração pública e da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).
Desde o início da Revolução Bolivariana que, entre sucessos e erros inevitáveis, esta se pauta por uma clara orientação na defesa das grandes maiorias nacionais secularmente depauperadas por governos enfeudados à oligarquia internacional e aos seus caciques nacionais; o povo já beneficiou de um total de 29 aumentos do ordenado mínimo (1999 a 2015), numa tentativa de proteger a população mais pobre contra as várias caras da conspiração económica tipo Pinochet (açambarcamento, inflação e especulação com os preços dos bens essenciais). Como contraste, observe-se que nos últimos 24 anos do regime neoliberal da IV República (1974-1999) houve tão só nove aumentos do ordenado mínimo, que para maior injustiça não eram extensivos aos pensionistas.
Mas se pusermos os números actuais em perspectiva veremos ainda melhor o que tem feito a Revolução Bolivariana pela população mais idosa (mulheres com mais de 55 anos e homens com mais de 60). Entre 1977 e 1998 o regime anterior contabilizava só 387 007 pensionistas e é bom recordar aqui que o ex-governador de Caracas, Antonio Ledezma, agora preso por conspiração, era especialista na repressão dos manifestantes da terceira idade que reclamavam contra pensões de fome pagas em hora incerta. Hoje os pensionistas passam de 2,6 milhões e antes de que termine o presente ano serão três milhões.
Anote-se ainda que são milhares os pensionistas a viver fora da Venezuela (Portugal, Espanha, Itália...), na sua grande maioria ex-emigrantes onde recebem a sua pensão em moeda local a uma taxa de conversão especial, e que neste momento renderá perto de mil e cem euros mensais. Quantos pensionistas da Segurança Social portuguesa gostariam de contar com essa entrada todos os meses...
É assim que se governa quando se pensa no povo. Por isso também a criação de 4 793 908 novos empregos nos últimos 16 anos para baixar a taxa de desemprego de 14,5 por cento (1999) para 5,5 por cento (2014). Por isso, no Índice de Desenvolvimento Humano a Venezuela pulou de 0,699 (2000) para 0,0771 (2012) e no que se refere ao coeficiente de Gini (que mede a desigualdade social e onde o valor «0» seria ideal e o valor «1» a distribuição menos igualitária) a «perigosa» Venezuela1 desceu de 0,499 (1999) para 0,398 (2013). Por isso o número de famílias em situação de pobreza e de pobreza extrema diminuiu constantemente entre 1999 (quando atingia os 38,9% e 10,8%, respectivamente) e 2013 (19,6% e 5,5%, respectivamente), exceptuando os anos 2002 e 2003, consequência do golpe de estado, greve patronal e sabotagem da indústria petrolífera, coração económico do país.
Pode, então, surpreender alguém minimamente honesto que, no ano 2013, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura da (FAO) reconhecesse que a Venezuela tivesse erradicado a fome e a pobreza extrema «antes de que se terem cumprido as metas do milénio»? Os resultados positivos da Revolução Bolivariana, pese todas as dificuldades, sabotagem e conspirações internacionais e nacionais, estão à vista e só as nega quem as não quer ver.
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1 Azadeh Shahshahani, presidente do Colégio Nacional de Advogados dos Estados Unidos (NLG, segundo as suas siglas em inglês) exigiu (30 de Abril) a Barak Obama a derrogação do decreto que declara a Venezuela como uma «ameaça singular e extraordinária» para os Estados Unidos. «Se o nosso presidente, afirma, acredita no império da lei, não deveria realizar este tipo de declarações falsas baseadas no cinismo; especialmente declarações que trazem consigo graves consequências.»