Alarme na Manutenção Militar

Na operação de extinção da Manutenção Militar e criação da «MM, EPE», surgiram na semana passada duas novas peças que suscitaram «grande consternação e ansiedade», porque foram colocados em letra de forma o encerramento de instalações e a destruição de mais de uma centena de postos de trabalho.

Num detalhado comunicado que publicou na segunda-feira, dia 13, o Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa (Steffas/CGTP-IN) chamou a atenção para as graves consequências que teria a aplicação das ordens de serviço n.º 16 e n.º 17 (datadas de 8 e 9 de Abril) e informou que iria levar a cabo, de imediato, plenários de trabalhadores da Manutenção Militar, por todo o País. Em discussão estão «formas de intensificação imediata da luta pela integração de todas as actuais atribuições e competências da Manutenção Militar na “MM, EPE” e pela reafectação da totalidade dos trabalhadores ao mapa de pessoal destinado aos vínculos de emprego público na nova empresa». Estas exigências já constam no caderno reivindicativo que foi entregue ao ministro da Defesa Nacional e ao chefe do Estado-Maior do Exército, a 17 de Dezembro.

O Steffas admite que «a verdadeira intenção seja fazer com que a nova empresa nasça já incapacitada, ou mesmo que seja um “nado-morto”, rasgando caminho ao desmantelamento total e à privatização de uma actividade permanente, essencial e estratégica para o Exército». Para tal, o caminho «foi, infelizmente, aberto com a triste escolha do modelo “EPE” pelo Governo».

Naquelas ordens de serviço, que contêm os mapas de pessoal da nova empresa, preconiza-se «uma redução brutal da implantação territorial e a extinção de mais de 120 postos de trabalho nesta instituição»: são encerradas as sucursais e delegações no Porto, Coimbra, Évora, Açores e Madeira e é reduzido drasticamente o pessoal na sucursal do Entroncamento.

Para o sindicato, «não se vislumbra forma alguma de contornar o impacto negativo que terá a redução a apenas dois pontos em todo o País (Lisboa e Entroncamento, com este último local seriamente debilitado em termos do pessoal previsto) da distribuição de víveres e géneros alimentícios à totalidade do Exército».

 



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