“Viva a liberdade, viva a paz!”

Margarida Botelho

Foi assim que a coordenadora da Comissão Executiva da URAP, Marília Villaverde Cabral, terminou a sua intervenção na iniciativa que assinalou a chegada da Tocha da Liberdade e da Paz ao concelho do Barreiro.

Crianças e jovens de vários graus de ensino de escolas do concelho, a tuna da Universidade Sénior local, eleitos das várias autarquias, população em geral, acolheram com emoção a Tocha, que entrou no largo 1.º de Maio transportada e acompanhada por dezenas de motards do Barreiro e da Moita. As intervenções denunciaram os crimes do nazi-fascismo e do fascismo em Portugal, mas também a resistência heróica dos povos, pela liberdade, a democracia e a paz, ontem como hoje.

A passagem da Tocha em muitas cidades, vilas e aldeias do nosso País assinalou de forma impressiva e emotiva a passagem dos 70 anos sobre o fim da Segunda Guerra mundial.

O que este pequeno artigo pretende assinalar é apenas um ensurdecedor silêncio. Esta importantíssima iniciativa internacional, que não podia ser mais oportuna na passagem do 70.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, que chegou a Portugal poucos dias depois de as televisões terem dedicado muito – e justificado! – tempo de antena a propósito dos 70 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz pelo exército soviético, esteve praticamente arredada dos media.

Com a honrosa excepção de alguns órgãos de comunicação social local e regional, os jornais, as rádios e as televisões ignoraram olimpicamente uma oportuna iniciativa que envolveu milhares de pessoas, em particular jovens, de todo o País. Aparentemente, esta iniciativa tinha tudo para ser um êxito mediático: a comemorar uma data redonda, um programa diversificado envolvendo amplos sectores e camadas, com imagens altamente «televisionáveis».

E no entanto, nada, ou praticamente nada. Num tempo em que em muitos pontos do globo espreita novamente o perigo da noite fascista, a denúncia do que foi o fascismo, de até onde pode chegar a exploração do homem pelo homem, mas ao mesmo tempo o exemplo vivo de que a luta organizada pode derrubar até os mais poderosos exércitos do mundo, tem uma actualidade extraordinária. Silenciar a passagem da Tocha pelo nosso País diz infelizmente muito sobre a comunicação social que temos e sobre quem nela manda.




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