Uma história colorida
Num dos encontros promovidos pela CDU, em Loures, no âmbito da campanha eleitoral para as autárquicas, um grupo de crianças veio ao nosso encontro. Estávamos no bairro social da Urbanização das Sapateiras. Presentes os candidatos à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia.
Logo ali, as crianças foram direitas ao assunto:
– O campo de jogos precisa de ser pintado e arranjado.
– Também queremos um chafariz para bebermos água.
– Querem ver?
Seguimo-las até ao campo de jogos. À nossa frente apresentava-se um espaço conhecido que confirmava não ser cuidado há muitos anos. Era uma mancha desoladora. Arriscámos que, desde a sua inauguração pela então Câmara CDU, há mais de duas décadas, estava abandonado.
– Sim, precisa mesmo de ser pintado e arranjado.
– Sim, precisam mesmo de um bebedouro.
E as crianças não paravam:
– E quando vierem cá tragam gelados.
Respondemos-lhes que primeiro precisávamos de vencer as eleições. Mas as obras no polidesportivo ficaram acertadas.
A CDU venceu as eleições e os na altura candidatos são agora os presidentes dos dois órgãos autárquicos. Cabe aqui lembrar aos nossos leitores (dos quiosques e das papelarias), que para os eleitos da CDU não há promessas eleitorais que possam ou não possam ser cumpridas. Os eleitos da CDU regem-se por compromissos assumidos junto das populações. Em Loures, como em centenas de freguesias do nosso País, é o trabalho, a competência e a honestidade que caracterizam o agir destes eleitos.
Assim, a Junta de Freguesia realizou as obras, marcou as linhas para os jogos, ofereceu seis bolas de futebol e fez um protocolo com um grupo de jovens para a dinamização do polidesportivo. A 26 de Julho, dia do aniversário do concelho, a população recebeu em festa os presidentes e os trabalhadores da Câmara e da Junta de Freguesia.
O jogo que encerrou o campeonato entre vizinhos saldou-se em golos marcados pelas duas equipas. O mesmo aconteceu na população e nos eleitos.
Não há encontro realizado entre os eleitos da CDU e as populações que não seja aproveitado para prestarmos contas do custo das obras, do que falta fazer, do que não é da nossa competência, do respeito que temos de ter pelo que é de todos, do apreço pela educação, da amizade, do desporto que é direito do povo… e que não nos emocionemos com o carinho com que somos recebidos por danças e cantares que nos ensinam a amar culturas diferentes e distantes.
Do palco, foram chamados pelo presidente os meninos que na campanha eleitoral tinham falado no bebedouro e nos gelados. Para além da requalificação do polidesportivo, as surpresas da tarde continuaram com uma ida junto do bebedouro e a distribuição de gelados.
Passados dois meses as crianças dirigiram-se à Junta de Freguesia. No atendimento disseram que vinham para falar com o Manuel. A funcionária, surpreendida, perguntou-lhes:
– Com quem?
– Com o Manuel, o presidente.
Recebidos, contaram-lhe que um menino empoleirou-se no bebedouro e tinha partido uma peça. Já tinham falado com esse amigo e vinham dar conta do castigo que merecia. O presidente Manuel ficou mais interessado no motivo que levou o menino a empoleirar-se para beber água do que no estrago provocado. Sabida a razão, explicou-lhes que o estrago não era da responsabilidade do menino, mas que ao bebedouro faltava um suporte para os mais pequenos poderem beber água.
Da Junta de Freguesia à Câmara Municipal vão umas boas dezenas de passos. Chegados lá, pediram para falar com o Bernardino.
– Com o senhor presidente, disse-lhes a funcionária.
– Sim, queremos falar com o Bernardino.
E lá subiram para repetirem o que tinham contado na Junta de Freguesia. Mas o presidente da Câmara esteve mais interessado em saber a razão que levou o menino a empoleirar-se no bebedouro do que no estrago provocado. Sabido o motivo, ficou assente que o estrago não era da responsabilidade do menino, mas que ao bebedouro fazia falta um suporte para os mais pequenos subirem para beberem água.
– Uff!, disseram-lhe as crianças.
– Uff, porquê?
– Porque o nosso amigo ia ser castigado e agora já não vai, responderam-lhe satisfeitos.
– Antes de virmos falar contigo, fomos falar com o Manuel. Afinal, não é o nosso amigo que é o culpado do estrago. É o próprio bebedouro.
Este episódio, por certo, será lembrado na vida destas crianças. Neste tempo negro que colorimos com a justeza da nossa luta, em que o des-governo nos quer robotizados a papaguear bis ao apontar do dedo em riste com que atribuem a culpa aos mais desfavorecidos, é necessário desenrolarmos o fio da meada. E então acusarmos. Não os que têm fome mas todos os que lhes roubam a comida.