Faleceu o actor António Montez

An­tónio Montez, na­tural do Car­taxo, fa­leceu, dia 22, aos 73 anos, em Lisboa. Ao longo da sua longa car­reira ar­tís­tica, par­ti­cipou em vá­rias peças de te­atro, fez ci­nema, foi en­ce­nador e in­te­grou com re­gu­la­ri­dade os elencos de sé­ries te­le­vi­sivas, desde a te­le­no­vela «Vila Faia».

Nas­cido em 1941, An­tónio Montez en­ve­redou pela car­reira de actor aos 23 anos, no Te­atro Ex­pe­ri­mental do Porto, onde na época tra­ba­lhava o en­ce­nador Carlos Avilez.

O actor fixou-se em Lisboa, no final da dé­cada de 1960, tra­ba­lhando para com­pa­nhias da ca­pital, na rádio e para a te­le­visão.

Fez parte do elenco da «Tri­logia das Barcas», de Gil Vi­cente, e do «Auto da Na­tural In­venção», em adap­ta­ções de Luís Fran­cisco Re­bello, sob a di­recção de Artur Ramos, para a RTP.

Tra­ba­lhou igual­mente na adap­tação de «Morte de um Cai­xeiro Vi­a­jante», de Arthur Miller, ao lado de Fer­nanda Bor­satti e Ro­gério Paulo.

Em 1974 fez parte do grupo fun­dador do Te­atro Adoque, es­tre­ando ori­gi­nais como «Pides na Grelha» e «CIA dos Car­deais». Foi se­pul­tado, dia 24, no ce­mi­tério dos Oli­vais.

O Se­cre­ta­riado do Sector In­te­lec­tual da ORL do PCP emitiu uma nota a pro­pó­sito do fa­le­ci­mento do actor na qual, para além de prestar as «mais sen­tidas con­do­lên­cias à fa­mília», des­taca a par­ti­ci­pação de An­tónio Montez na luta «pela li­ber­dade e pela de­mo­cracia ainda antes da Re­vo­lução de Abril» e a sua qua­li­dade de «in­te­lec­tual em­pe­nhado na cons­trução de um País de pro­gresso, so­be­rano e de­sen­vol­vido». O PCP su­blinha ainda o seu per­curso de dé­cadas «na pro­moção da cul­tura, quer na sua di­vul­gação, quer no de­sem­penho da pro­fissão, no te­atro, no ci­nema, na rádio ou na te­le­visão, da re­vista ao drama, pas­sando pela co­média, com uma po­li­va­lência e uma ver­sa­ti­bi­li­dade no­tá­veis».

Na nota des­taca-se ainda a li­gação an­tiga de An­tónio Montez ao PCP, vinda de antes do 25 de Abril e man­tida já em li­ber­dade. «A sua par­ti­ci­pação ge­ne­rosa em di­versas ini­ci­a­tivas po­lí­ticas e cul­tu­rais do PCP, bem como a sua pronta dis­po­ni­bi­li­dade para o apoiar pu­bli­ca­mente nos su­ces­sivos actos elei­to­rais até aos nossos dias são a ex­pressão mais vi­sível do seu em­penho e con­fi­ança na cons­trução de um Por­tugal em que os va­lores de Abril es­tarão pre­sentes», re­alça o Sector In­te­lec­tual.



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